terça-feira, 16 de julho de 2013

Nota da frente "Mudar as coisas me interessa mais" sobre as Eleições do DCE.

MUDAR AS COISAS ME INTERESSA MAIS
ELEIÇÕES DCE QUILOMBO DOS PALMARES

“E vamos a luta” como disse o bom compositor brasileiro, Gonzaguinha. A história nos mostra nitidamente que momento de luta é o momento de agora. Enquanto houver exploração e opressão, estaremos gritando e dizendo “não” à esse sistema.
Nós somos a Frente estudantil MUDAR AS COISAS ME INTERESSA MAIS. Somos produto de mais uma “onda” de estudantes que se indignam com as políticas de falta de investimento no ensino superior público, precarizando-o ao máximo e em consonância com isso, aplicando políticas de financiando  no ensino privado, fortalecendo os grandes “empresários da educação”. Para nós, a educação é algo que deve estar a serviço dos trabalhadores, que sustentam não só a educação, a saúde, a segurança, os salários (e desvios de verba) dos “políticos da ordem”, mas toda sociedade. São eles que “carregam o peso” de toda humanidade.
O momento por qual passa a Universidade Federal de Alagoas (UFAL) é  ímpar para se discutir a organização dos estudantes dentro do movimento estudantil e como ela vem se dando ao longo dos últimos anos. Hoje e amanhã (16 e 17 de julho) estará ocorrendo o processo de eleição da nova gestão do Diretório Central do Estudantes – Quilombo dos Palmares, que ficará à frente das diretorias da Entidade neste período de 2013-2014. Duas chapas estão concorrendo este ano, a atual gestão Correnteza – "A Luta Não Para" (chapa 1), e sua oposição "Pra Balançar O Chão Da Praça" (chapa 2).
Deixamos claro, desde já, que a FRENTE “MUDAR AS COISAS ME INTERESSA MAIS” não está construindo nenhuma das duas chapas inscritas, e pedimos desculpas àqueles que acreditam em nossas proposições. Mas, por estarmos no início de uma frente organizada, avaliamos que não teríamos “pernas” para disputar a gestão do DCE.
Gostaríamos de ressaltar que a atual gestão, a chapa 1 (Correnteza), está à frente do DCE-UFAL desde 2010, e de lá para cá vem demonstrando um profundo desrespeito ao Estatuto da Entidade. Em 2011 atrasou as eleições para nova diretoria, que tem duração de um ano, previsto em Estatuto. No mesmo ano era para ter ocorrido o Congresso do DCE (espaço de maior valor nas deliberações que dizem respeito à entidade, sendo ele o que define politicamente como o DCE irá se posicionar) que estatutariamente, ocorre a cada dois anos, e que deveria ocorrer no ano de 2011, mas simplesmente não foi organizado, acontecendo apenas em fevereiro de 2013 – de forma altamente desorganizada. Os Conselhos de Entidades de Base (os famosos CEB's) que, segundo consta no Estatuto do DCE, deveriam acontecer com periodicidade mínima de dois meses, também não foram convocados nos últimos anos. Dentre vários outros desrespeitos estatutários, talvez o mais gritante sejam as próprias eleições que presenciamos hoje, as quais deveriam ter acontecido no ano passado! Dentro desses exemplos, podemos ter uma ideia  do quão “desmobilizador” é o grupo Correnteza na gestão do DCE, refereciando-se enquanto chapa 1, nas eleições DCE 2013, se propondo para (des)organizar o Movimento Estudantil da Ufal. Além disso, é nítido que a Correnteza concorre para a desmobilização dos espaços legítimos de articulação, dentro e fora da Universidade Federal de Alagoas. Durante a greve dos professores federais do ano passado, a Correnteza claramente boicotou as atividades, não articulando os estudantes nas atividades da greve, sectarizando as lutas pelos diversos campi espalhados pelo estado de Alagoas; não se fazendo presente, e contribuindo com o esvaziando do Comitê Permanente de Mobilização Estudantil – espaço legítimo deliberado em assembleia. Tudo isto prova o quanto a chapa 1, da Correnteza, é um entrave para a unidade e os posteriores ganhos não somente estudantis, pois, agindo desta forma, ela afasta o DCE, cada vez mais, da base estudantil, já que não promove espaços com voz e voto aos que a entidade deve representar, TODOS OS ESTUDANTES DA UFAL.
No entanto, isto não quer dizer que a chapa 2, "Pra Balançar O Chão Da Praça", da Assembleia Nacional do Estudantes – Livre (ANEL), seja a sua antítese. Temos fortes indícios para acreditar que a ANEL pode trilhar um caminho bastante similar ao da Correnteza, à frente do DCE. Um deles vem do próprio CEB que deu posse a gestão da Correnteza de 2011, onde as eleições para diretoria da Entidade (2011) não obtiveram quórum mínimo, e em um conturbado CEB, foi decidido – com o apoio dos militantes da ANEL, que agora compõem a chapa 2 nestas eleições –, que, mesmo não tendo quórum mínimo, a chapa que teve mais votos - Correnteza - (sem respaldo dos estudantes) seria empossada enquanto majoritária do DCE da UFAL daquele ano. Outras questões nos fazem ficar bastante receosos em relação à chapa 2, como o fato de, no último Congresso do DCE, na plenária final, quando a Correnteza (chapa 1) propôs limitar o direito à voto nas reuniões ordinárias do DCE somente aos diretores da entidade, os militantes da ANEL (que compõem a chapa 2 "Pra Balançar O Chão Da Praça")  terem dado pronto apoio a infame proposta da Correnteza e assim conseguiram passar a deliberação; um escancarado atentado à democracia da entidade. Ou seja, quando bem lhe convém, a ANEL faz conchavos políticos com quem se diz oposição.
Nas bases de nosso projeto (que está em construção) para o movimento estudantil na UFAL se coloca a organização dos estudantes de forma crítica, pelas bases. Podemos afirmar, com clareza, que a reorganização não é e está longe de se limitar a troca de bandeiras. Vale ressaltar, que a reorganização não é quando a agitação das bandeiras e a propaganda de uma entidade, se sobressaem aos problemas da universidade e não pode nem deve ser a camuflagem da realidade.
Nossa tarefa ainda é de reestruturar as bases para um Novo Movimento Estudantil, estreitar o máximo possível nossas concepções, redefinir nosso posicionamento, clarear nosso objetivo, ou seja, elevar a consciência dos estudantes para que assim torne objetivamente possível a retomada de um movimento estudantil de massas, aliado a classe trabalhadora e a um projeto de educação que contemple “os de baixo” .
São por esses motivos que declaramos que não iremos votar em nenhuma das chapas, pois nenhuma das duas parece estar ciente de que o problema da universidade não perpassa necessariamente a disputa de entidades, mas sim a construção de um movimento estudantil construído pela base dos estudantes, discutindo suas principais questões, como assistência estudantil, melhores condições estruturais, mais professores, mais pesquisa e extensão, educação de qualidade tanto em Maceió, quanto no interior.

NOSSA LUTA É POR UMA EDUCAÇÃO PÚBLICA, GRATUITA E DE QUALIDADE.



“FRENTE MUDAR AS COISAS ME INTERESSA MAIS”


segunda-feira, 1 de abril de 2013

Tese completa para o VI conDCE 2013 - Sempre Certo na Contramão


Link da tese: 





O QUE É CONDCE?
Congresso do DCE (ConDCE) é a principal instância deliberativa do DCE-UFAL, nele serão discutidas e definidas as ações que conduzirão as lutas do Diretório . No ConDCE também podem ser realizadas mudanças no estatuto da entidade. Votam nas deliberações do Congresso delegados eleitos em cada curso.
Blog da tese: http://www.semprecertonacontramaoufal.blogspot.com.br/

Assinam a tese: 
Grupo Além do Mito; União da Juventude Comunista - UJC; Biologia (Centro Acadêmico Enraizando em Terras Secas): Anita Rocha, Daniella Yezzi, Diogo Cavalcanti, Jamerson Oliveira, Leomar da Silva, Téo Alves, Thayse Melo e Vanessa Batista; Comunicação Social: Ariane Sapucaia, Enzo Lins, Gustavo Marinho e Márcio Anastácio; Direito: Antônio Ugá, Carlos Tavares, Emmanuel Feliphy, Igor Medeiros, Isabel Lins, Júlia Normande, Lucas Farias, Lucas Soares, Renato Santiago, Rikartiany Cardoso, Rodrigo Gomes e Stanley de Lima; Filosofia: Felipe Cirino e Fernando Cirino; Geografia: Amanda Guedes, Jorge Lucas. História: Gelvane Andrade, Jônatas Absalão, Jonathan Moreira e Sandra Sena; Medicina: Carlos Almeida, Daniel Araújo, Ednis Oliveira, Marcos Farias e Nehemias Alencar; Serviço Social: Myzia Estevão, Rogério Azevedo, Valber Elias; Química: Jéssica Bernardo.



2012: O ANO EM QUE AS FEDERAIS PARARAM


2012: O ANO EM QUE AS FEDERAIS PARARAM



Esta tese representa, em linhas gerais, a avaliação do grupo “Além do Mito...” acerca da greve nas instituições federais (de como se encaminhou o debate das pautas locais, das respostas dadas pelo movimento estudantil da UFAL durante o período) e, ao final, uma breve proposição de como o ME combativo da universidade deve se portar mediante os ataques do capital à educação pública, gratuita para todos/as, de qualidade e socialmente referendada. Boa leitura!

A estrada vai além do que se vê: crise do capital, educação e governo PT

Após 10 anos de governo do partido dos trabalhadores (PT), o funcionalismo público federal deu seu primeiro passo significativo de insatisfação com as políticas de arrocho salarial do Estado. Os/as servidores/as da educação, em especial professores/as, foram a ponta de lança da maior greve enfrentada pelo governo Dilma/Lula. Boa parte dos/as docentes que apoiaram e tomaram para si a execução da reforma universitária proposta pelo governo PT, agora, parecem ver, sentir e colher os frutos de um projeto pensando e sistematizado para sucatear as universidades públicas e privatizar a educação como um todo. Talvez, esta seja uma das principais razões para o movimento dos/as professores/as que entraram em greve no primeiro semestre deste ano. Vários/as pesquisadores/as já apresentaram suas análises sobre a relação do Estado com os organismos internacionais e destes com a educação pública. Periodicamente, agências, bancos e instituições como o BIRD (Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento), FMI (Fundo Monetário Internacional) e NOREP (Notice of Recommended Educational Placement) lançam cartas de recomendação aos países “em desenvolvimento” sobre como devem gerir o sistema educacional. Averiguamos que as políticas e medidas voltadas a educação brasileira, contidas nos projetos do governo federal, são as mesmas que podem ser identificadas nestas cartas de recomendações. Enxugamento dos gastos com cada aluno, parceria com a iniciativa privada para o oferecimento de vagas aos mais de 80% dos jovens brasileiros que estão fora de um curso superior por falta de vagas, enxugamento e fragmentação dos conteúdos dos cursos, investimentos pesados na iniciativa privada por meio de bolsas em detrimento aos investimentos na rede pública, são “recomendações” tomadas pelo Brasil para “resolver” os problemas da educação superior.
A partir de um olhar mais atento a tais propostas de reforma universitária, poderemos enxergar a estreita relação destas com as necessidades dos empresários das grandes indústrias e dos banqueiros internacionais em crise. Não é de hoje que o mercado mundial encontra-se em crise em suas estruturas, desde meados dos anos 1970 não se tem mais para onde alargar o mercado e dar vazão às mercadorias produzidas. Daí, as constantes crises na economia mundial. Estas, não são por falta de produtos, mas por excesso! Para resolver o problema, grandes empresários mundiais - tendo o Estado como executor de suas propostas – encontraram algumas medidas de recuperação das taxas de lucratividades perdidas pela saturação do mercado. Uma delas é a fabricação de mercadorias programadas para durarem menos; todos os produtos que consumimos têm uma rápida durabilidade para que tenhamos a necessidade de comprarmos mais em menos tempo. Isto fica mais nítido quando observamos as mercadorias de gerações anteriores a nossa, como a dos nossos avós, por exemplo. Outra medida foi/é a promoção de guerras. Sob a desculpa esfarrapada de estar levando a “democracia” aos “países anti-democráticos” e que “colocam em risco o planeta” por conta dos “terroristas” que eles abrigam, países como os EUA, Inglaterra e Alemanha fazem a festa para a indústria bélica vender suas armas e munições aos melhores compradores do mundo: os Estados! Ao mesmo tempo em que estas guerras salvam a indústria de armas, elas abrem caminhos para empresas de outras áreas tentarem sair da crise também, como, construção civil, alimentos, automobilística, etc., que tem países e mais países para “reconstruírem”. No mesmo sentido ocorreram as transformações do Estado voltadas à educação. Ao tempo em que a alternativa à crise foi a produção de materiais com baixa durabilidade e por meio de guerras, teremos também os serviços públicos invadidos pela iniciativa privada em sua incessante busca por lucros. Áreas como a saúde, segurança, previdência e educação, passam a serem encaradas como lócus em que se pode obter lucros. Vários diretos universais adquiridos através de luta pelas gerações anteriores, como idade mínima para aposentadoria, saúde e educação, entre outros, são agora retirados paulatinamente pelo Estado e tratados como serviços. Perguntamo-nos: como tais diretos foram e estão sendo retirados sem que tenhamos reações à altura que se pede por parte dos/as trabalhadores/as e do funcionalismo público em geral? São estas perdas de direitos dos/as trabalhadores/as que fazem parte da maioria dos projetos de lei, reformas e emendas vindas de Brasília a serem implementadas pelas universidades federais.
Durante os oito anos do governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), o Estado tentou promover tais reformas. Várias delas foram rechaçadas nas ruas pelos/as trabalhadores/as em greves e paralisações vitoriosas, que conseguiram barrar boa parte dos projetos de privatização almejados pelo Estado e pelos grandes empresários, ansiosos para tomaram conta dos serviços públicos e começarem a ter lucro a partir da segurança, da saúde, da previdência e da educação dos/as trabalhadores/as brasileiros/as. Com a chegada do Partido dos Trabalhadores à presidência da república, constrói-se o mito do ex-operário que governaria para os/as trabalhadores/as e que, portanto, não correríamos os riscos dos ataques sofridos no governo FHC. Vimos, no entanto, o mais “belo” exemplo de como retirar direitos dos/as trabalhadores/as, mediante a cooptação da direção e das lideranças dos principais instrumentos de luta que, durante a ditadura e a própria redemocratização, representavam resistência às políticas neoliberais implementadas pelos governos federais. Foi assim que a CUT (Central Única dos Trabalhadores) e a UNE (União Nacional dos Estudantes), burocratizaram-se, engessaram-se, distanciaram-se das bases e tornaram-se correias transmissoras, em suas atuações, do projeto implementado pelo governo PT. As políticas assistencialistas de Lula, o fracionamento da contra-reforma universitária, justificada a partir de uma falsa democratização do acesso ao ensino superior, entre outros fatores, foi capaz de, em 8 anos, colocar em prática quase todas as reformas que o seu antecessor não conseguiu (ou reforçar as já implementadas).
A partir de sua mercantilização, a universidade e a educação como um todo perde sua função social. Embebida de uma concepção que proclama o sucesso individual e simula a existência de interesses inconciliáveis entre as três categorias que compõem a comunidade acadêmica, a saber, professores, técnicos e estudantes, de modo que a conquista para a maioria dos componentes de uma delas implicaria nas derrotas das demais - por exemplo, a manutenção das aulas, que corresponderia ao interesse dos estudantes, visto que os professores e técnicos seriam obrigados a permanecer laborando sob remuneração insuficiente e condições inadequadas. Esses debates ocorrem nos mais diversos níveis de clareza política dos atuais processos de precarização da educação pública, de crescimento do setor privado sob o investimento do Estado e da debilidade dos movimentos que lutam pela educação proporcionar uma resistência a tudo isso.
Por outro lado, a necessidade do debate, que provoca certa efervescência nos meios acadêmicos, abre um ótimo espaço para que os setores organizados das três categoriais possam se manifestar e, talvez, colocar uma perspectiva de argumentação que demonstre a urgência de traçarmos uma linha de ação política que ponha como norte imediato a defesa
intransigente da universidade pública, gratuita, democrática e de qualidade, enquanto um programa para resistir à tendência mercantilizante e sucateadora da Universidade. A greve que vivenciamos este ano deve apontar para além do mito da figura de Lula e do PT. As contradições apresentam-se a cada dia de maneira mais aguda e nos levam, indubitavelmente, às lutas, ainda que propagandas e discursos falaciosos tentem nos ludibriar a todo o momento, através da mídia capitalista e nas próprias universidades.

O processo de lutas, de 2011 até aqui: a greve nas IFES e na UFAL

Para uma avaliação mais efetiva da construção da última greve dos/as professores/as, bem como as mobilizações dos/as estudantes em nossa universidade, não podemos nos limitar apenas ao conjunto de discussões, assembleias, atos e outros que aconteceram a partir de 17 de maio de 2012. Urge reconhecer todo o histórico de mobilizações das três categorias universitárias (técnicos/as, estudantes e professores/as) em defesa da autonomia universitária e por uma educação gratuita, pública, de qualidade e socialmente referendada que culminou na greve de 2012.
Após a aprovação do REUNI no ensino superior (2007), ficam mais nítidos e mais parecidos os problemas pelos quais todas as categorias da universidade pública passam, seja técnico, docente ou estudante, evidenciando-se a raiz comum desses problemas. Conforme afirmamos anteriormente, os ataques à educação pública tratam-se de uma investida do capital para suprir suas demandas de expansão, mais um golpe do neoliberalismo no campo da educação.

Eleições para a Reitoria e organização do “Fórum em defesa da educação”

Em 2011, a esquerda combativa da UFAL se reuniu em torno da candidatura de Valéria Correia para a reitoria, pela chapa “Outra UFAL é possível”1. A campanha tinha como mote principal a crítica à precarização e sucateamento da universidade pública, à expansão universitária sem qualidade através do REUNI e em defesa de seu caráter público, a partir do questionamento às parceiras público-privadas, principalmente ao financiamento de pesquisas e à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH), e em defesa da  inserção dos movimentos sociais na Universidade e de políticas concretas de assistência estudantil. Após a eleição da chapa que representava a situação, encabeçada por Eurico Lobo, percebeu-se a necessidade de uma articulação para além de uma chapa: o “Fórum em Defesa da Educação”, que representou a possibilidade de uma atuação conjunta dentro da UFAL, entendida, de fato, para além do Campus A.C. Simões (Maceió).

Greve de 2011: da necessidade da unidade contra o produtivimo ao questionamento das possibilidades de mobilização dos/as docentes na UFAL

Aos seis dias do mês de junho de 2011, a Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-Administrativo em Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil (FASUBRA), decidiu entrar em greve por tempo indeterminado como forma de cobrança mais efetiva dos direitos reivindicados na paralisação de 2007, cujo Termo de Compromisso assinado pelo Governo Federal não foi cumprido. Aproveitando o momento de luta dos técnicos-administrativos, dos docentes de algumas universidades estaduais, os docentes de vários IFES aderem ao movimento paredista, pautando a unidade do movimento, em agosto de 2011.
Um dos principais pontos de pauta era a discussão sobre o paradigma posto sorrateiramente - via reestruturação produtiva - nas instituições de ensino superior, ou seja, o questionamento, a partir da contra-reforma universitária da função do/a docente. Praticamente forçados/as a adotar outra postura frente ao papel de educador/a, por meio do tripé acadêmico (assegurado constitucionalmente, que sustenta a universidade: ensino, pesquisa e extensão) em detrimento ao cumprimento de metas. Ergue-se uma demanda produtiva imensa para os professores, conforme sintetizou Antônio Bosi, docente da Universidade do Oeste do Paraná: “antes nós éramos pagos para pensar, agora, para produzir”2. Deflagrada nacionalmente por tempo indeterminado, trouxe tímidos ganhos apenas para poucas universidades em suas pautas locais. E, apesar do posicionamento contrário em várias assembleias no país contra o rejuste salarial proposto pelo governo (de 4%), o ANDES aceitou a proposta3. 
Dada a conjuntura nacional de mobilizações, na UFAL, a primeira atividade política de grande repercussão do Fórum foi a atuação nessa greve. Entre as pautas locais: a denúncia da grave precarização da universidade; melhores salários e condições de trabalho para os/as docentes. Aqui a greve durou uma semana. O fórum e os/as professores/as à frente das mobilizações saíram com um sentimento de derrota, já que, a greve não conseguiu mobilizar os/as docentes da universidade (muitos/as continuaram em suas atividades normais). A assembleia que finalizou a greve, não conseguiu sequer debater as pautas políticas da mobilização, indicando uma relativa impossibilidade de mobilização da categoria de professores/as. Pontue-se também a atuação da direção da ADUFAL, pautada na burocratização dos espaços para consequente esvaziamento das pautas políticas4, e, consequente favorecimento da reitoria.

Greve de 2012: não cumprimento do acordo de 2011 e as contradições a nível nacional e local

O acordo firmado entre os docentes que entraram em greve e o governo federal, em 2011, não foi efetivado por parte deste. Frente a mais esse golpe na categoria, nacionalmente, a base dos/as professores/as começa a se articular para cobrar, de forma mais incisiva, o que se tinha acordado, protestar contra o novo plano de cargos e carreiras, além de uma série de pontos inseridos na conjuntura de desmantelamento do ensino público superior no Brasil.
Assembleias em todas as IFES do país refletiam o descontentamento cada vez maior da categoria com o descaso do governo Dilma frente aos problemas enfrentados. A paralisação nacional no dia 25 de abril demonstrou que os/as docentes estavam, ainda que limitadamente, organizados e prontos para uma luta mais densa. Frente a apatia do governo mediante a mobilização inicial, não se retratando de nenhuma forma sobre a não efetivação do acordo firmado no ano anterior, a categoria resolve, em maio, entrar em greve.
Na primeira semana, cerca de 40 universidades aderem ao movimento, surpreendendo a todos os envolvidos e dando força para a continuação da luta. Uma situação atípica aconteceu: os/as reitores/as, via Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (ANDIFES), declararam “apoio” aos/às docentes. Lembramos que aqueles/as, em 2007, foram os/as maiores entusiastas da implantação do REUNI na educação pública federal (esse mesmo projeto foi responsável por boa parte dos pontos de pauta da greve). Aqui na UFAL, por exemplo, a vontade de aprovar o projeto era tão grande que a reunião do CONSUNI aconteceu no auditório do Hospital Universitário, numa tática explícita para evitar qualquer tipo de manifestação contrária por parte da comunidade acadêmica, à implantação do projeto. Sem contar a violência usada contra as manifestações dos/as estudantes naquele ano. Na UFAL, entretanto, mesmo com o encaminhamento do ANDES de uma possível greve geral, não vimos acontecer em nossa universidade qualquer atividade por parte dos professores – tal qual ocorridas na greve de 2011. Apenas assembleias tardias convocadas pela ADUFAL e paralisações isoladas, que faziam parte do calendário nacional. Nenhuma que viabilizasse uma ampla discussão aprofundada acerca da greve. Passamos por um momento de extrema apatia em que, salvo algumas poucas exceções, nem se chegou a debater o assunto em sala de aula. Este fato se refletiu na assembleia de deflagração da greve. Houve um significativo esvaziamento do auditório após a votação, antecedida apenas por seis falas. A consequência: restaram poucos/as professores/as para dar andamento às atividades. Deste modo, não obtivemos um processo de avanço na politização da comunidade acadêmica, o que nos fez visualizar uma greve na qual a maioria dos/as professores/as foi para suas casas e os/as estudantes, por não enxergarem outra opção, também assumiram as “férias forçadas”. Não queremos, com isso, cair numa postura pessimista ou negativa da importância política da greve e de suas assembleias. O que diferenciou a greve de 2012 da que ocorreu sete meses antes? Além da adesão de um maior número de universidades e institutos federais, localmente, o posicionamento da ADUFAL e, consequentemente, o andamento das assembleias tiveram uma expressiva mudança. Ampliou-se a participação dos/as professores/as (filiados/as ou não) e não houve cerceamento ao direito à voz e ao voto nas assembleias da categoria. Não acreditamos numa autocrítica e reconhecimento do erro da greve passada por meio da atual gestão da ADUFAL. Pelo contrário. Mediante o posicionamento na greve anterior, de submissão do sindicato à política da reitoria, pontuamos a finalidade de interesses eleitoreiros e de legitimação da entidade diante dos/as docentes que construíram a greve, por parte da direção da ADUFAL. Não desconsideramos a luta daqueles/as que, para além da ADUFAL, se colocaram na construção dos espaços políticos da greve. Reconhecemos o ganho político que a greve trouxe à reorganização do movimento docente (derrotada em 2011) dentro da UFAL: cabe destacar a importância da atuação de professores/as, durante os quatro meses, trazendo para as assembleias repasses nacionais (participando do Comando Nacional); pontuando a importância de articularmos as pautas locais, que culminaram na confecção do Dossiê e numa audiência pública das categorias em greve; expondo as contradições do discurso de expansão universitária, com a desvalorização do trabalho e das precárias condições de infraestrutura; e na possibilidade de pautarmos a atuação conjunta das três categorias universitárias. O discurso de que “o fim da greve não deve significar o fim de mobilizações e que devemos buscar formas alternativas” não deve se tornar um discurso vazio, acreditamos que o Fórum em Defesa da Educação, pelo que já demonstrou, é um espaço importante de articulação e as lutas unificadas na UFAL podem e devem partir e passar por lá!


O “campus” minado de Arapiraca e o processo de irresponsável interiorização das universidades

Debateu-se com frequência, nas assembleias e atos de rua durante a greve de 2012, o processo de interiorização da Universidade Federal de Alagoas, tendo como bandeira máxima a situação de insegurança no campus Arapiraca, localizado vizinho ao presídio Desembargador Luis Oliveira Sousa.
As aulas em Arapiraca foram suspensas antes mesmo da greve das federais, a reivindicação dos/as três categorias universitárias era a segurança no campus. Fatos chamaram a atenção da população para a insegurança no campus: fugas em massa do presídio, troca de tiros entre policiais e fugitivos, além de abordagens que fizeram reféns professores e o motorista de uma van, que vinha para Maceió. Aos “trancos e barrancos” estudantes, professores e técnicos permaneceram em atividades nesse prédio ao lado do presídio, tendo até paredes da “universidade” cheias de marca de bala. Dai surge a pergunta: vale a pena estudar em um campo minado?
Tais acontecimentos tornaram inviáveis as atividades acadêmicas no campus e proporcionou uma mobilização conjunta. Os/as docentes do campus de Arapiraca permaneceram e construíram a greve geral com os/as demais, colocando em pauta suas reivindicações locais (http://www.adufal.org.br/sgw/ModNoticias/Anexos_noticias/dossieanexo1campusarapiraca.pdf).
Alerta-se acerca do desrespeito da reitoria da universidade (na época, gestão da Reitora Ana Deyse e Vice Reitor Eurico Lobo) e do Governo Federal com a educação
superior. Só existe uma lógica para construir uma universidade dentro do mesmo terreno de um presídio: fazer com que ela seja do pior nível educacional possível, reforçado pelo controle do funcionamento do ensino, extensão e a pesquisa.
Como o processo de interiorização da UFAL é recente, ainda não houve como estabelecer os alicerces para a autoorganização dos/as estudantes nesses lugares. O ponto positivo é que, a partir desse triste fato, a realidade mostra o quanto é importante a constante mobilização estudantil.

A interiorização que temos e a que queremos

Para além da problemática da construção do campus próximo ao presídio, expomos duas problemáticas: a) o debate sobre segurança pública na sociedade capitalista e b) a precária interiorização, respaldada pelo discurso da falsa democratização do acesso ao ensino superior5. Queremos deixar em evidência o caráter estigmatizante, não ressocializador e marginal do sistema carcerário brasileiro, que tem no Direito Penal a expressão máxima do caráter conservador e superestrutural do Direito. Não estamos, portanto, defendendo um Estado mantenedor da ordem e punitivo. Questionamos, entretanto, a não concretização de um projeto de interiorização decente (alardeado pelo REUNI), com quantidade suficiente de professores/as, salas de aula, laboratórios, bibliotecas e assistência estudantil, que garanta a permanência do estudante na universidade.
Fazemos coro à necessidade de expansão da Universidade, mas de forma responsável, respeitando as especifidades e demandas de cada município, e não uma simples implementação de um projeto modelo sucateado pensando pelo MEC, em alguma cidade do interior, sem o devido cuidado de debater, aprofundadamente, o assunto com todos os envolvidos no processo (pensando inclusive nos benefícios que possa trazer ao local). Não queremos uma universidade pensada pela elite política, a partir das necessidades das burguesias locais!



As demandas da iniciativa privada e da sociedade em geral:
Trata-se de demandas expressas pelo empresariado do comércio, dos serviços e das indústrias, assim como da sociedade em geral, esta última enquanto produtora e consumidora de produto e serviços.
A consideração das duas variáveis já referidas - sub-regiões naturais estaduais e suas vocações econômicas e, a identificação das demandas por educação superior -, implicam numa tentativa de espacialização das atividades interiorizadas da UFAL, adequada às características do Estado de Alagoas.

A Contra-Reforma Universitária, que ao invés de expandir a universidade (possibilitando a abertura da mesma para os filhos da classe trabalhadora, com qualidade), adota um modelo baseado nas metas bancomundialistas, assentadas na concepção dos Communitu Colleges, deixa universidade super lotada de estudantes, não se preocupa com sua função social e faz decair o sistema educacional público de nível superior, transformando-o em verdadeiros “colégios públicos” (que sofreram um processo semelhante de precarização a partir da década de 1970, culminando na ampliação máxima do mercado de escolas privadas).
Surgiram mais vagas nas universidades, claro. Mas ainda falta o primordial: professores, salas de aula, pesquisa, extensão e assistência e estudantil para todos/as. E isso não ocorre apenas em Alagoas, ou ainda, em Arapiraca. Inúmeras universidades do país estão com problemas do mesmo modo, o que evidencia o descaso, mercantilização e sucateamento da educação pública brasileira.

As mobilizações estudantis

Por mais que o problema central seja comum, as categorias têm suas demandas específicas, logo, os/as estudantes têm como tarefa a elaboração de uma pauta de reivindicações própria, visto que os danos causados pelo REUNI só aumentam. Nesse momento, as divergências entre os grupos políticos que atuam na UFAL devem ser deixadas de lado, em prol de uma pauta única que contemple todos/as os/as estudantes da universidade, nos parâmetros de uma educação emancipatória e de uma universidade que defenda os interesses da classe trabalhadora.

A greve de 2011 e as mobilizações estudantis

Na UFAL, uma assembleia estudantil histórica foi realizada no dia 05 de setembro de 2011, com a participação de mais de 500 estudantes dos mais variados cursos. Depois de um acirrado debate, decidiu-se pela não entrada em greve da categoria estudantil. No entanto, elaborou-se uma pauta de reivindicações com cinquenta pontos a serem entregues à antiga
reitora, Ana Dayse, encaminhando-se também a realização de uma audiência pública junto ao Ministério Público Federal, para negociarmos os pontos listados.
Vale destacar que alguns desses pontos foram os mesmos estipulados, mas não atendidos, durante as ocupações de reitorias, no grande processo de mobilização estudantil ocorrido em 2007 (época de aprovação do REUNI). Como a reitora não acenou positivamente em relação a audiência que queríamos, deliberamos pela ocupação do gabinete, até a abertura de um processo de negociação. Além da UFAL, várias reitorias foram ocupadas país a fora – ainda que não seja comparado ao processo de lutas tocado no ano supracitado, em que o ME combativo, rompendo de vez com a União Nacional de Estudantes (UNE), fez-se presente e atuante, numa das maiores mobilizações estudantis feitas até hoje no Brasil.
Infelizmente, o movimento de greve dos/as docentes não caminhou conforme a perspectiva da maioria dos/as professores/as, dos/as próprios/as estudantes e dos/as técnicos/as-administrativos/as. A diretoria da Associação dos Docentes da Universidade Federal de Alagoas (ADUFAL), ignorando os anseios da base da categoria que a associação representa (ou deveria representar!), aceita o famigerado acordo proposto pelo governo federal em conluio com a Federação de Sindicatos de Professores de Instituições Federais de Ensino Superior (PROIFES) e ratificado pela diretoria do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES - SN), conforme já havíamos pontuado.

A ocupação da reitoria e o oportunismo do PCR/Correnteza: a necessidade de ir “Além do Mito do DCE Gestão Correnteza”!

Além de estudantes independentes, estavam na ocupação o Grupo Além do Mito, o PCR/Correnteza, a Resistência Popular e o PSTU/ANEL. Agindo de forma oportunista, o PCR passou a boicotar as atividades que eram organizadas durante o dia todo, voltando pela noite para participar das reuniões de avaliação. A justificativa dada era que estavam fazendo passagens em sala sobre a ocupação. Logo após, todos/as descobriram o que de fato estava sendo feito: campanha para as eleições do DCE (fato confirmado em 2012, no último CEB em Arapiraca por um dos militantes da Correnteza), mesmo com todos quase tendo certeza de que a mesma não ocorreria, pela mudança na conjuntura e a necessidade de articulação e debate com os/as estudantes na UFAL.
O oportunismo foi tão grande, que o argumento para se validar as eleições naquele momento, mesmo com tudo acontecendo, foi o seguinte: “Se a greve tivesse durado mais dois dias, as eleições teriam sido adiadas”.
Outro ponto importante (bem mais do que as eleições para DCE) foi a forma rasteira pela qual a reitoria conduziu o diálogo conosco com os/as estudantes. No terceiro dia de ocupação foi marcada uma reunião com o MPF (Ministério Público Federal), a portas fechadas, com um número reduzido de representantes estudantis, sete no total. Aceitamos esse canal de diálogo, com ressalva de que tudo o que fosse conversado nessa reunião, deveria ser voltado aos/às que estavam mantendo a ocupação, para que todos/as avaliassem conjuntamente e tomassem uma posição coletiva.
De início pareceu que o trato havia funcionado. Apenas de início. Quando a greve dos/as docentes acabou, tivemos que desocupar o gabinete, visto que voltaríamos às aulas, além do sentimento de derrota acumulado pelos/as docentes e das manobras feitas pela gestão Correnteza, para, de forma oportunista, acabar com a ocupação e dar prosseguimento ao processo eleitoral para DCE.
Depois de alguns dias que desocupamos o espaço, um processo de reintegração de posse foi direcionado às sete pessoas que representaram os/as estudantes na reunião com o MPF e ao DCE, mesmo depois de termos saído de lá!
Reitere-se: não é a primeira vez que a reitoria da UFAL recorre a esse tipo de estratégia para lidar com os/as estudantes que reivindicam uma educação melhor e socialmente referenciada. Para citarmos apenas um exemplo, em 2007 houve assembleia estudantil acompanhada de perto pela polícia federal!
Assim como em várias outras situações de embate entre Movimento Estudantil e reitoria, a “resolução” para os pontos que colocamos na pauta durante a assembleia foi a criação de Grupos de Trabalho (GT's).
Com base em experiências passadas, sabemos que esse método de negociação nunca nos leva a apontamentos concretos, e sim à promessas, por parte da reitoria, de prazos para os problemas serem resolvidos, somente. Tal posicionamento, visando uma conciliação e apontamento para a solução das lutas em reuniões fechadas em gabinetes quando a luta fica mais intensa, se dá por parte do PCR, pois o mesmo, enquanto gestão do DCE da UFAL, sempre manteve uma relação cordial com a ex-reitora e o atual reitor.

Greve de 2012 e mobilizações estudantis: a construção do Comando Nacional de Greve Estudantil e o sepultamento da UNE

Apesar do momento de refluxo que o ME atravessa, os/as estudantes conseguiram se articular nacionalmente, mostrando que, mesmo com toda dinamicidade inerente ao movimento, a necessidade que o capital “impõe” à esquerda, de se organizar, fala mais alto.
No dia 05 de junho de 2012, aconteceu uma marcha em Brasília, em que se reuniram mais de 15 mil manifestantes, dando oportunidade para que vários setores do movimento estudantil pudessem dialogar sobre uma articulação nacional durante a greve. Nessa ocasião, na plenária instalada após a marcha, os comandos locais de greve puderam trocar informações acerca dos problemas de cada universidade ali representada.
Na ocasião foi instituído o Comando Nacional de Greve Estudantil (CNGE), como forma de aglutinar as pautas locais e estavam no bojo das reivindicações globais do movimento, como a destinação de 10% do PIB para a educação pública já!, por um Plano Nacional de Educação que refletisse os anseios dos estudantes, defesa das políticas de ações afirmativas e cotas raciais nas universidades públicas, entre outras - e criar uma unidade dentro do ME em torno dos problemas comuns. O comando foi constituído por vários setores, desde coletivos independentes, a partidos políticos como PSOL e PSTU. No informativo número dois do CNGE está explicitado o caráter de tal comando:

Conheça o Comando Nacional de Greve Estudantil!
O CNGE se instalará em Brasília, com reuniões cotidianas, coordenará a greve nacionalmente e tentará abrir negociação com o governo. São atribuições do comando: centralizar as informações das universidades em greve, pensar atividades nacionais, dar os rumos da greve a nível nacional e buscar a unificação com o ANDES, FASUBRA e SINASEFE para construir uma pauta única e negociação conjunta com o governo. Manteremos um blog em constante atualização, além de uma página no facebook, além dos informativos periódicos.
É imprescindível que todas as universidades em greve ou em mobilização mandem representantes para o CNGE. A partir desse CNGE e com muita mobilização nas universidades, será possível garantirmos a vitória da greve.
Quem fala em nome dos estudantes em greve, são os estudantes em greve, por meio do CNGE. Nem a UNE nem a ANEL falam em nome dos estudantes em greve.
CNGE, informativo número dois, publicado no dia 25/06/12.

A construção do Comando de Mobilizações Estudantis na UFAL

Mesmo com essa articulação a nível nacional, alguns pontos problemáticos devem ser levantados, principalmente se tratando das especificidades do ME em algumas universidades. Na UFAL, não houve mobilização estudantil após a desocupação da reitoria em 2011. Durante a primeira paralisação da categoria docente (no dia 25 de abril de 2012), a base estudantil não estava a par do processo de lutas que estava acontecendo. Aqui cabe responsabilizar tanto os professores/as, por não fazerem essa discussão dentro das salas de aula, nem organizarem atividades para debater tais problemas, e também a própria vanguarda do movimento estudantil, pois não cumpriu a tarefa de, ao menos, informar tudo que acontecia naquele momento à maioria dos estudantes.
O que se viu no campus Maceió, durante as reuniões do Comando de Mobilização Estudantil, foi uma correlação de forças entre os três principais grupos que atuam no ME (Além do Mito..., PCR/Correnteza e PSTU/ANEL), e a pouquíssima participação dos/as estudantes dos campi dos interiores nesse processo, com exceção dos/as estudantes de Arapiraca, no que diz respeito a pauta do presídio.
No começo da greve lançamos a nota intitulada “Eu vejo um museu de grandes novidades...” que refletia muito bem a tensão existente as organizações com relação ao apoio que devíamos dar ao movimento dos docentes. Outro exemplo foi a forma de tiragem de delegados para o CNGE. Na UFAL, não houve adesão da categoria estudantil à greve (esse fato pode ser analisado sob a ótica da não inserção da vanguarda no seio dos/as estudantes), com isso, o número de pessoas participando ativamente da construção do Comando de Mobilização dos Estudantes era reduzido (tendo em vista os/as vinte mil discentes matriculados/as em nossa universidade). Nenhuma das assembleias que o DCE ou o comando de mobilização tentaram impulsionar deram quórum. Demonstra-se, portanto, um problema gravíssimo de representatividade estudantil, pois questões importantes eram deliberadas em tais “assembleias”, que foram chamadas de reuniões ampliadas do DCE.
Com essa realidade posta, seria absurdo a tirada de delegados para representar cerca de vinte mil pessoas, em reuniões com menos de cinquenta participantes. O mais legítimo a fazer seria tirarmos observadores para nos representar nas reuniões do comando nacional, sem o poder de voto, visto que aqui na UFAL, é tácito que não conseguimos representar, em nenhum momento da greve, a base estudantil.
Defendemos com argumentos sólidos essa posição, rechaçada pelas outras forças que construíam o comando local, pois, tais forças tinham como interesse maior, não representar a maioria dos estudantes da UFAL, mas sim dar peso às posições defendidas no comando nacional: por um lado a ANEL querendo reforçar o posicionamento do PSTU, por outro a Correnteza tentando se juntar aos setores que fazem oposição à direção da UNE, como se isso fosse possível, visto que o PCdoB hegemoniza tal cargo há cerca de vinte anos.
A greve ganhou uma enorme proporção a nível nacional, pois outros setores do funcionalismo público resolveram também cobrar melhorias nas condições de trabalho, causando um desgaste político do governo Dilma muito grande. Logo, a tarefa classista, era
tentar impulsionar, mesmo com todos os limites já citados, o fortalecimento da greve aqui em Alagoas. Enquanto comando de mobilização local, realizamos algumas atividades, desde manifestação de rua à mesa de discussão sobre o movimento paredista, mas sempre esbarrávamos no problema da falta de estudantes participando de tais atividades, gerando, inevitavelmente, um clima de apatia dentro do ME na UFAL.
Todos/as se perguntavam o porquê das pessoas não estarem participando da construção da greve, houve tentativas de justificação, mas nenhuma refletia o verdadeiro problema, que estava e está na nossa frente até hoje, a falta de envolvimento da base dos/as estudantes nos processos históricos da universidade, especialmente nos momentos de luta.
Pode ser difícil adotar essa postura de autocrítica, mas frente a concepção que temos de movimento estudantil, ela é a mais sincera. Enquanto grupo de estudantes que entendem que a luta deve ser pautada por um compromisso de classe, não podemos e não devemos perder mais tempo com velhas práticas, há muito ultrapassadas e mortas (mas ainda não enterradas) dentro da esquerda, resquícios da deturpação do marxismo.
Infelizmente, cada vez mais tentam substituir a centralidade do trabalho pela centralidade da política no processo de luta de classes. A tarefa de reorganização da esquerda revolucionária pode ser bastante árdua, não negamos isso em hipótese alguma, mas se não nos propormos a contribuir nesse processo, de forma antagônica ao que está posto, então, quem fará isso? A burguesia?! Dentro dessa crise de alternativa socialista, não temos tempo a perder, o capital não nos dá esse “privilégio”. Mesmo com nossas limitações, enquanto movimento estudantil, devemos contribuir como pudermos para que a classe trabalhadora possa voltar a ter esperanças de se emancipar.

O fim da greve e as vitórias que queremos

Após três meses de paralisação e tentativas frustradas de negociação, o governo federal começou a fechar o cerco em cima dos docentes e das demais categorias, que incluíam, entre outros, ameaças de corte de ponto, criminalização da greve e surgimento de um projeto de “lei antigreve no funcionalismo público”. O movimento grevista, em alguns momentos, não soube dar respostas a esse ataque anti-greve. Boa parte da instabilidade do movimento se deu por iniciativa dos blocos governistas dentro da greve, dentre os/as docentes, com o PROIFES fazendo reuniões com o governo, como se a entidade representasse a categoria como um todo.
Entre os/as estudantes, a União Nacional dos Estudantes (UNE), aparelhada pela UJS/PCdoB, mais uma vez cumpriu o papel da direita dentro do processo de lutas estudantis, fazendo, assim como o PROIFES, reuniões com o MEC e o MPOG, como se estivessem representando a maioria dos/as estudantes brasileiros.
A luta que o CNGE encampou foi de fundamental importância para demonstrar que a UNE não é mais uma entidade que serve para os lutadores do ME, pois a luta foi feita por fora desta, assim como em 2007 e em 2011, com vitórias importantes. Cabe destacar os ganhos na UFAM - RU para o turno da noite e espaço físico para os CAs/DAs -, na UFBA - ônibus intercampi - , na UFPR - não retaliação do estudantes que ocuparam a reitoria, ampliação da biblioteca central, aumento de 25% na bolsa-moradia etc. -, na UNIFAP - voto direto e paritário nas eleições para reitoria.
Mesmo com o fim da greve no dia 17 de setembro, não podemos deixar de refletir sobre esse processo tão importante de luta dos/as docentes, dos servidores técnicos e dos estudantes. Temos que reconhecer os avanços, que foram muitos, vale ressaltar! (o rechaço, quase total, que o PROIFES sofreu, é um dos pontos mais importantes a serem mencionados).
Não podemos, entretanto, perder a criticidade com relação ao caráter da mobilização, pois, apesar de não ter influenciado diretamente no setor produtivo/econômico da sociedade capitalista, a greve está inserida no campo da luta de classes, e por isso, o movimento estudantil tem por necessidade, avaliar minuciosamente todas as mediações que fizeram com que esse processo de luta se tornasse real. Faz-se necessária a denúncia às criminalizações e fortes repressões das reitorias e do governo aos movimentos que reivindicam uma universidade emancipatória ou que, minimamente, se colocam contra o atual modelo sucateador da Educação Pública. Acreditamos que só assim poderemos atuar de forma mais qualificada em alguma luta que seja travada futuramente.


Grupo “Além do Mito...”
Novembro de 2012


1 No mesmo ano, os setores do movimento estudantil que apoiavam a candidatura (Além do Mito, PSTU/ANEL, PCB, MEPR e independentes), lançaram-se numa chapa para o DCE com o mesmo nome.

2 O REUNI tem em suas metas a proporção 18 estudantes para um/uma professor/a e 90% de taxa de conclusão de curso.
3 Um verdadeiro “banho de água fria” no movimento grevista. Um golpe que fez com que o momento de organização da luta pela melhoria da universidade pública, se tornasse um momento de frustração para boa parte dos/as docentes que participaram de todo o processo. O acordo previa, como “primeira etapa do processo de reestruturação da carreira”: a) incorporação ao vencimento básico da GEMAS – Gratificação Específica do Magistério Superior; e b) acréscimo de 4% sobre o vencimento básico, considerando a GEMAS incorporada, e sobre a Retribuição por Titulação. O acordo deveria ser cumprido até a data de 31/03/2012. Esse acordo, comparado com tudo que era cobrado pelo movimento grevista (que durou apenas uma semana), foi uma grande derrota para a categoria, naquele momento. 
4 Nas assembleias apenas professores filiados à ADUFAL poderiam votar. Foi também cerceada a participação dos/as estudantes das assembleias.

5 O objetivo geral
O maior propósito da gestão da Reitora Ana Dayse Rezende Dorea, ao assumir os destinos da UFAL em dezembro de 2003, é o seu fortalecimento enquanto instituição pública, gratuita e inovadora, diante do quadro de mudanças relacionado às novas dinâmicas globais e aos avanços científicos, mas considerando, ao mesmo tempo, o seu compromisso com a sociedade que lhe dá suporte e contexto. Assim, elege como prioridades máximas, a melhoria da qualidade através do aperfeiçoamento das suas atividades-fim, e a inserção social da instituição através da sua expansão para o interior do Estado de Alagoas. (pág. 6)





quarta-feira, 26 de setembro de 2012

CONVITE - Um chamado à unidade



Maceió, setembro de 2012

A educação pública superior do Brasil passa por um momento difícil. A reforma universitária em curso começou na era FHC, teve seu aprofundamento com o governo Lula e, agora, segue seu percurso com Dilma.
Tal reforma atende, em linhas gerais, as demandas do setor privado com um duplo caráter: por um lado, temos a necessidade de crescimento das redes particulares de ensino, as quais o governo financia através do PROUNI e FIES. Por outro, o governo precariza as poucas universidades públicas por meio de uma expansão irresponsável de novos Campi e ausência de investimentos suficientes para atender as demandas dos já existentes.
Essa política pode ser verificada em nosso dia a dia na UFAL. Os problemas se espalham por todos os lados: a expansão, tanto alardeada pela reitoria, se mostra com uma greve de 5 meses no Campus Arapiraca por parte da comunidade acadêmica cobrando condições básicas de ensino; em Delmiro Gouveia, o Campus só foi entregue depois de uma greve de 3 meses e após 3 anos de existência da UFAL no sertão.
Em Maceió, aumenta-se o número de estudantes sem que se aumente paralelamente e proporcionalmente o número de professores, funcionários e estrutura física das instalações. Restando à comunidade a disputa por salas, remanejamento de turmas por toda a UFAL, várias turmas tendo aulas ao mesmo tempo com um único professor, estudantes cumprindo funções de técnicos administrativos (sob o disfarce de bolsas de ajuda de custo), entre vários outros fatores.
Nessa situação, faz-se cada vez mais urgente e necessária a intervenção dos setores da academia que não coadunam com esse projeto de educação que está em curso por todo o país e que, aqui, se revela de maneira mais nítida, uma vez que a UFAL carrega consigo os traços sócio históricos do Estado de Alagoas, marcado profundamente pelas disparidades sociais, coronelismos, concentração de renda e poder.
Nesse sentido, nós estudantes temos um papel fundamental na universidade. Além de estudarmos, não podemos assistir o desmonte que vem sendo executado pela reitoria e governo federal à educação. É por isso que deve existir o movimento estudantil. Organizados nos centros e diretórios acadêmicos, podemos ter mais força em nossas reivindicações. Neste contexto, o DCE tem um importante papel para UNIFICAR as demandas dos estudantes a fim de juntos termos melhores condições para lutar por nossos direitos.
Infelizmente, não verificamos esse papel sendo cumprido pela atual gestão do DCE Quilombo dos Palmares.
A Correnteza vem ao longo desses dois últimos anos cumprindo o papel de desagregar todas as demandas estudantis. O desrespeito aos espaços de discussão e deliberação dos Centros e Diretórios Acadêmicos é a tônica de suas ações. Há um ano que não ocorre Conselho de Entidades de Base. O papel que este grupo jogou nas últimas eleições para o DCE e o papel que cumpriu durante a greve foi de desrespeito a instituição democrática e as instâncias colegiadas de decisão do movimento, tal como o Comando de Mobilização Estudantil. Além dessas questões, o desempenho político da Correnteza foi, apesar da aparência, de total atrelamento aos gabinetes da reitoria.
Estas posturas das atuais gestões do DCE e as situações da educação que estamos passando nos colocam na obrigação de nos envolvermos ainda mais na luta pela educação pública e de unificarmos os setores dos estudantes que não concordam com as práticas da Correnteza.
Assim, precisamos não apenas negar as políticas precarizantes da educação, mas principalmente afirmar um projeto próprio de educação. Acreditamos que há importante potencial de convergência entre grande parte dos estudantes nesse projeto para a UFAL. Acreditamos que as lutas que emergem cada dia mais claramente no seio da universidade trouxeram experiência ao movimento estudantil combativo, a qual deve ser empregada na unidade do movimento em torno de um programa mínimo e comum e de lutas reais dos estudantes da UFAL e dos trabalhadores que pagam para que possamos estudar aqui.
Chamamos à construção da unidade em torno de propostas comuns aos atores de esquerda do movimento estudantil da UFAL. Com isso não desejamos negar nossas divergências, mas afirmar, acima de tudo, que temos mais convergências do que divergências. Convidamos, então, a ANEL, os militantes independentes, coletivos e estudantes em geral da UFAL para a construção de propostas para uma chapa de unidade da esquerda para disputar as eleições para o DCE Quilombo dos Palmares – UFAL.


Saudações,

União da Juventude Comunista
e
Grupo Além do Mito...

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Nota do grupo "Além do Mito..." sobre o "Ato unificado dos trabalhadores da cidade e do campo":


A notícia da vinda da presidenta Dilma Rousseff a Alagoas, com a finalidade de inauguração de mais um polo da Braskem, quando funcionários de mais de 50 instituições federais e outros órgãos do serviço federal se encontram em greve, fez com que os grevistas, além de outras organizações civis e movimentos sociais, se organizassem em um ato unificado com a finalidade de apresentar à presidenta e aos demais presentes, os problemas pelos quais vêm passando.
Os baixos salários, as péssimas condições de trabalho e a ineficiência da reforma agrária, foram as reivindicações que estavam sendo cobradas. Infelizmente, estas questões vêm sendo deixadas de lado, demonstrando, portanto o caráter neoliberal e explorador de um governo que se pinta de defensor dos trabalhadores e que ainda consegue cooptar, por meio de seus discursos, determinados setores dos movimentos sociais.
Por isso, no dia 17 de agosto, estudantes, técnicos e professores da Universidade Federal de Alagoas e do Instituto Federal de Alagoas, unificaram-se com outras categorias que também se encontram em greve no estado e os movimentos de luta pela reforma agrária. Porém, a ausência de diálogo e inflexibilidade se iniciou às 6:30 da manhã, quando um ônibus com manifestantes foi abordado e impedido de passar na via pública que dava acesso ao local do evento por policiais do BOPE, responsáveis pelo plano de segurança da vinda da presidenta. Ao longo do dia, as duas principais vias que davam acesso ao polo industrial de Marechal Deodoro foram fechadas e barreiras policiais instaladas: só passavam os que tinham autorização prévia. Além disso, se tinha notícia de que o exército estava espalhado pelas matas ao redor.
Alguns professores, estudantes e técnicos do IFAL e da UFAL conseguiram furar os três bloqueios e somaram-se aos manifestantes parados desde cedo. O reforçado corpo policial, tentava, a qualquer custo fragmentar a mobilização de recepção aos carros que chegavam para o evento. Armados com balas de borrachas, bomba de efeitos moral, cassetetes e escudos, ameaçavam, a todo o momento, os estudantes, professores e trabalhadores (além de ameaças verbais e tentativas de boicotar a distribuição de água), tentando a todo custo impedir a manifestação que tinha cunho pacífico e em nada ameaçava a integridade física da presidente.
Com toda essa estrutura repressiva armada, o ato não conseguiu cumprir a função de unificar os trabalhadores do campo e da cidade (ainda que, mesmo com suas limitações, sua construção tenha apresentado um canal de diálogo com a classe trabalhadora), tal qual se propunha, e os movimentos do campo não conseguiram se unir as demais categorias que estavam no local, o que desencadeou em mobilizações fragmentadas. Aqueles, visando entregar uma pauta contra a paralisação da reforma agrária no Brasil, entre outras dos Movimentos de Libertação dos Sem Terra (MLST), dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Terra, Trabalho e Liberdade (MTL) e Comissão Pastoral da Terra (CPT), optaram por interditar a AL 101 sul, principal acesso ao polo da Braskem, e com isso impediram a passagem dos convidados ao evento.
Resultado: em menos de uma hora, foram agredidos pelos instrumentos de choque do BOPE, da cavalaria militar, da polícia militar, além de seguranças particulares. Após a ação da tropa de choque e a repercussão, ainda que pequena na mídia local, provocou uma troca de acusações entre o governo de Alagoas e o Federal sobre de qual deles seria a responsabilidade pelo acontecido.
Ainda assim, a repercussão midiática majoritária foi de teor pejorativo, principalmente com relação aos companheiros dos movimentos do campo, aos quais foram direcionadas todas as críticas da manifestação. A mídia burguesa de Alagoas se absteve em expor o movimento grevista das categorias, reiterando o que vem acontecendo desde o início da greve. O foco novamente foi a criminalização ao movimento do campo, quando a manifestação era composta de uma unificação de categorias. Cabe destacar e repudiar as afirmações de algumas “autoridades” públicas e judiciárias que reforçaram a criminalização, demonstrando o caráter classista do Estado Brasileiro.
Esses ocorridos ressaltaram a valorização que o atual governo federal vem dando aos banqueiros, empreiteiros, grandes empresários e especuladores do capital mundial em detrimento das reivindicações de várias categorias e de movimentos sociais, e, em nome de um modelo de desenvolvimento econômico forjado a partir do investimento público no setor privado. Uma das consequências do capitalismo em sua roupagem neoliberal se dá a partir da ampliação da exploração das grandes multinacionais em localidades subdesenvolvidas, aproveitando-se da matéria-prima abundante, do barateamento da mão de obra (muitas vezes terceirizada, com direitos flexibilizados) e das isenções de impostos.
A construção da nova fábrica da Braskem torna Alagoas um dos maiores produtores de PVC da América Latina: o que temos a comemorar?
Em Alagoas fica às claras o descaso dos governos estadual e federal com a educação. Recentemente, Alagoas vem sendo notícia não só pelos baixos índices no IDEB, mas pela desvalorização do trabalho docente e casos latentes de corrupção em construções e reformas nas escolas. Todos os cortes de verbas destinados à educação e investimentos direcionados aos megaeventos, multinacionais, privatizações e outras formas de incentivo à iniciativa privada que o governo Dilma tem feito, é sentido e muito pelos estudantes do ensino superior que estão desenvolvendo suas graduações de maneiras lastimáveis, seja por falta de assistência estudantil, que desemboca no alto índice de evasão; seja por uma infraestrutura comprometida, em que salas de aula são insuficientes, assim como laboratórios; seja pela exploração dos professores e cobrança de produção quantitativa em pesquisas, isto é, deixando a qualidade e relevância da produção científica de lado - o que não significa também que o número de bolsas para pesquisa tenham aumentado, a menos que haja investimento privado.
Encerramos a nota pontuando a necessidade da construção coletiva entre os setores combativos dos movimentos sociais em Alagoas, reafirmar a importância de prestarmos solidariedade e encampar a luta dos companheiros do campo e da cidade, entendendo que a luta por uma universidade pública, gratuita e de qualidade perpassa pela disputa de um mundo livre e mais justo!

Assina esta nota: Comando de Mobilização Estudantil da UFAL (CME-UFAL).

domingo, 8 de julho de 2012

Além do Mito do DCE “gestão Correnteza”




Maceió, fevereiro de 2012

"Se a aparência e a essência das coisas  coincidissem, a ciência seria desnecessária"
Karl Marx

O presente texto tem como finalidade a contribuição para melhor nortear e sustentar as lutas estudantis que estão colocadas na ordem do dia na Universidade Federal de Alagoas. A certeza advinda do entendimento de que cada luta não se limita as questões imediatas – número de Professores, salas de aula suficientes, residência, assistência estudantil, etc. – mas, faz parte de uma conjuntura social mais ampla, é o que nos impulsiona a continuar alavancando as lutas na UFAL tendo como base a nossa perspectiva de atuação.
Esta contribuição se faz necessária neste momento, pois, temos a frente do DCE UFAL um Grupo Estudantil (Correnteza) – comandado pelo Partido Comunista Revolucionário (PCR) – que se apresenta como oposição ao atual projeto educacional desenvolvido pela reitoria e pelo Governo Federal, fator este que tem levado uma série de estudantes engajados (em especial nos Campi de Arapiraca e Delmiro) à ilusão de acreditar que esta organização é de fato, o que diz ser. Nas próximas linhas demonstraremos que, nesta aparência crítica, se esconde uma essência teórico/prática que já se mostrou historicamente limitada e subsumida à lógica que fundamenta a sociedade capitalista.  
Esta análise é destinada a todos os estudantes da UFAL, em especial, aqueles que, de uma forma ou de outra, atuam, apoiam ou têm alguma simpatia pelas atividades organizadas pelo Movimento Estudantil (CA’s, DA’s e DCE), sejam estas atividades: políticas, acadêmicas e/ou culturais.



Boa leitura!








Além do Mito do DCE “gestão Correnteza”


Introdução:
A necessidade de avaliação de nossas ações:
 As possibilidades e os limites das nossas reivindicações em cada momento histórico


Nos últimos três anos, as diversas contradições existentes nas Instituições Federais de Ensino Superior (IFES) se acentuaram profundamente com o processo de “expansão” destas, promovido pelo Estado. Mesmo com toda a propaganda sobre o aumento do número de Universidades e, principalmente, de alunos ingressantes, vários são os questionamentos que podemos levantar sobre a concepção e a qualidade de educação empregadas. Relatos e enumeração dos problemas de cunho estrutural e de pessoal são dispensáveis neste primeiro momento, uma vez que, aqui na UFAL (lócus para o qual este texto é dirigido), estudantes, professores e técnicos administrativos vêm sentindo cotidianamente o verdadeiro caráter desta reforma - maquiado de expansão - da Universidade.
Como não poderia ser diferente, uma série de reações aos problemas decorrentes deste processo eclodiram sob as mais diversas formas e nas mais diversas IFES do país. Centenas de mobilizações colocaram na ordem do dia uma enorme quantidade de problemas como: ineficiência da assistência estudantil, insuficiência do número de professores, carência de estrutura física, falta de verbas para pesquisa e extensão, etc. Vale ressaltar as reivindicações estudantis em curso nos Campi de Arapiraca e Delmiro Gouveia e nos seus respectivos pólos, além é claro, das lutas já existentes no Campus Maceió. Todas, tendo como pano de fundo a luta por condições básicas para o funcionamento de uma instituição de Ensino Superior. 
É justamente nesta conjuntura que o Grupo “Além do Mito...” enxerga a necessidade de uma reflexão sobre estas reivindicações; sobre o papel desempenhado pelos Centros e Diretórios Acadêmicos; e, principalmente, sobre o papel que vem cumprindo o Diretório Central dos Estudantes Quilombo dos Palmares sob a direção do movimento Correnteza desde 2010. Movimento este que - repetimos - é dirigido pelo PCR (“Partido” “Comunista” “Revolucionário”).
A justificativa desta necessidade é alicerçada numa premissa que temos bem clara: a cada passo que damos, temos que verificar detalhadamente  seus resultados: onde erramos; quais foram os nossos acertos; quais foram as possibilidades e os limites que incidiram naquele passo e as respectivas consequências geradas a partir dele.
 Estar sempre analisando nossas ações é de fundamental importância para termos bases mais sólidas nos rumos dados no presente; para não cometermos os mesmos erros do passado que nos levaram a acumular derrotas; quem são nossos aliados; para termos a clareza sobre quais os melhores meios de reivindicação das nossas causas mais imediatas - sem perder as ligações destas com a necessidade de transformação da totalidade social; etc.
Um fator decisivo para qualquer avaliação de uma determinada mobilização estudantil é sempre levarmos em conta o momento histórico no qual ela pôde surgir. Em nossa opinião, se queremos analisar um determinado objeto social (no nosso caso, o objeto em questão é o Movimento Estudantil) com o rigor necessário para nos aproximarmos ao máximo possível da sua realidade, temos que entender em qual momento histórico ele está inserido, qual sua origem e função social, quais são seus limites e possibilidades reais.
Desta forma, não iremos abordar o nosso objeto de maneira isolada e separada da totalidade social na qual ele está inserido, tal como fazem - e nos ensinam a fazer – a maioria dos professores desta Instituição. Se assim o fizéssemos, estaríamos fadados a realizar uma análise superficial e sem qualquer fundamentação sobre aquilo que estamos investigando, o que acarretaria, obrigatoriamente, em ações sobre esta realidade, também superficiais e infundadas.
Assim, o nosso estudo começará com uma breve leitura sobre as transformações que vem ocorrendo na área da educação – lócus de atuação do ME - ao longo desses últimos anos. Iremos adotar como ponto de partida, as mudanças ocorridas na esfera produtiva e suas ligações com a educação, no período neoliberal. Esta metodologia nos ajudará a entender de modo mais claro, os problemas que vivenciamos na UFAL, sobre o papel que a administração central da Universidade tem exercido na intensificação destes e, principalmente como o DCE tem “respondido” a todo este processo.





Além do Mito do DCE “gestão Correnteza”


      Capítulo 1
A subjugação da educação ao neoliberalismo
e a farsa da democratização do acesso ao ensino superior


Como afirmamos acima, para compreendermos as ações executadas pelo Movimento Estudantil da UFAL (podemos estender esta análise a todo o país, salvo as especificidades de cada estado) é de fundamental importância uma leitura sobre a esfera social na qual ele está inserido. Assim sendo, é imprescindível tecermos algumas considerações sobre as transformações em andamento no setor da educação, em especial no ensino superior. 
Todas as orientações aplicadas pelo Estado brasileiro às Universidades são melhores entendidas quando tomamos como referência o período pós anos 70, quando o capitalismo vai passar por profundas transformações (reflexos de sua crise estrutural[1]) e toma como saída a sua forma neoliberal.
         Dentre outras coisas, o neoliberalismo é caracterizado pela (re)divisão das zonas mundiais de influência política; pela desregulamentação/privatização de diversos setores que até então eram concebidos como deveres do Estado, como a educação e a saúde; e pela (re)configuração do setor produtivo.
No que diz respeito às reconfigurações no setor da produção de mercadorias, uma das características fundamentais ocorridas dentro das grandes indústrias é a readequação do fordismo (produção em massa) ao toytismo (produção de acordo com a demanda). Isto vai significar que a produção de mercadorias, irá manter o seu padrão de produção em larga escala, com a especificidade de adaptação destas às particularidades de cada mercado consumidor local. Da mesma forma, a reconfiguração do setor produtivo com que diversas mercadorias, em especial os eletrônicos, comecem a ser fabricadas para ter uma curta duração, como as TVs, geladeiras, e celulares, que já vem com seus respectivos tempos de funcionamento encurtados e prazos para quebrar predefinidos. (Ler Fordismo e Toyotismo na Civilização do Automóvel, de THOMAS GOUNET – boitempo, 1999)
Outro caminho encontrado pelos economistas neoliberais de plantão, para responder a queda da taxa de lucratividade dos grandes empresários em crise, é a desregulamentação/privatização dos serviços essenciais a população. A idéia era encontrar nos serviços oferecidos pelo Estado, novos meios para recuperar a taxa de lucratividade e dada a real impossibilidade de se criar novos mercados consumidores em virtude dos limites geográficos da Terra, as diretrizes eram a de repassar à iniciativa privada a responsabilidade sobre os serviços básicos à população e fazer das privatizações da educação, saúde, segurança e previdência uma espécie de “mercado novo” para o capital garantir suas taxas de crescimento e lucratividade.
 Esta nova lógica político-econômica será o fator essencial que irá orientar todos os projetos educacionais elaborados pelas diversas agências e organismos internacionais (FMI, BIRD)[2]. Estes por sua vez, irão lançar as diretrizes e os parâmetros que deverão nortear as políticas educacionais a serem desenvolvidas nos/pelos países do chamado Terceiro Mundo.
É neste contexto que podemos entender o grande “boom” das faculdades e universidades privadas, ocorrido no Brasil no inicio da década de 90 - período em que o Brasil adotou em definitivo o Neoliberalismo como modelo econômico a ser seguido. A educação privada passou a receber numerosos investimentos de multinacionais e do próprio governo para se proliferarem pelas esquinas das grandes cidades do país.
 Para que tais investimentos pudessem ser lucrativos, foi imprescindível à ação do Estado em duas vias. Uma, através das políticas direcionadas às universidades públicas, por meio de cortes orçamentários, intensificação do trabalho docente e o consequente rebaixamento da qualidade do ensino público. E em segundo lugar, o Estado também começou a patrocinar as privadas através da isenção de impostos e pelo pagamento de mensalidades para estudantes pobres – PROUNI. Para se ter uma ideia dessa política privatista, um levantamento feito pelo ANDES[3], em 2008, estima que o valor gasto pelo governo para bancar um estudante numa faculdade particular daria para abrir três vagas numa universidade pública!
Para ficar mais claro sobre o que estamos falando, vejamos um exemplo:
Imaginemos Carlos, filho de um casal de classe média alta com renda familiar de 25.000 reais. Ele está prestes a concluir o ensino médio e pretende fazer o curso de administração. Neste nosso exemplo, o Estado e a sociedade em geral compreendem a educação como um direito pertencente a todos os indivíduos, e que é o Estado o responsável pela garantia do acesso de todos a este direito. Sendo assim, não apenas o curso de administração, mas todos os outros cursos superiores são oferecidos gratuitamente pelo Estado. Mais ainda, toda a estrutura das universidades que abarcam estes cursos é suficiente para atender a demanda de todos os jovens do Brasil, garantindo a estes todas as condições para a apreensão e o desenvolvimento do conhecimento necessário ao atendimento das demandas sociais. Ora, se Carlos está prestes a ingressar no ensino superior e se o Estado oferece uma universidade pública e de qualidade a todos os jovens, a pergunta que fazemos ao caro leitor é consequente: existe alguma lógica ou razão para o nosso personagem - por mais grana que a família dele tenha - escolher cursar administração numa faculdade privada? E, mais ainda: seria viável a existência de uma faculdade particular nestas condições?
Podemos estender o exemplo acima para qualquer outra área que também deveria ser de responsabilidade exclusiva do Estado, como a saúde: haveria mesmo a necessidade de Carlos levar a sua avó doente a um hospital privado, uma vez que o Estado oferece hospitais com equipamentos de última geração, sem filas, funcionários bem remunerados e o consequente atendimento humano a toda população?
Como podemos ver, para que o setor privado possa existir e se desenvolver numa determinada área, é fundamental a intervenção do Estado, quer seja para desregulamentar as suas próprias obrigações, quer seja para financiar os gastos e os lucros da iniciativa privada.
Em Alagoas, vimos nitidamente algo muito parecido nos anos 70 e 80. Todos os filhos da “elite” econômica estudavam em escolas públicas, especificamente no Centro Educacional de Pesquisas Aplicadas (CEPA), pois eram estas que ofereciam o melhor ensino, a melhor estrutura e os melhores professores, por consequência, eram estas escolas que aprovavam quase todos os estudantes no vestibular da UFAL. Existiam apenas duas escolas particulares e, mesmo assim, quando seus alunos chegavam próximos ao período do vestibular, migravam para o CEPA visando se prepararem melhor.
É evidente que naquele momento eram poucas as vagas oferecidas pelo governo aos estudantes em idade escolar. Por um lado, isso significava que havia uma extrema necessidade de se estender aquele sistema educacional a toda a população. Por outro lado, significava também que a qualidade deveria ser preservada no momento desta expansão. Mas, em acordo com as transformações que acima afirmamos, não foi o que aconteceu nos anos seguintes.
Sob um discurso de que o Estado deveria dar acesso à educação a todos os jovens, houve, naquela época, uma enorme campanha publicitária colocando a necessidade de se expandir o ensino médio aos filhos oriundos das camadas sociais mais pauperizadas. Foi assim que, em poucos anos, o número de escolas estaduais de ensino médio cresceu consideravelmente. Obviamente, não é necessário aqui fazermos uma descrição sobre todo esse processo, pois o quadro atual destas escolas mostra-nos perfeitamente o caráter desta expansão. Longe de ser uma política direcionada a oferecer uma educação pública e de qualidade a todos, vimos, literalmente, a destruição da qualidade do ensino público. O aumento da jornada de trabalho dos professores e o rebaixamento dos seus salários, o não crescimento proporcional da estrutura das escolas em relação ao crescente número de alunos e a inexistência de políticas voltadas à assistência estudantil e ao acompanhamento dos novos estudantes, foram os fatores que fizeram parte desta “expansão”.
 Não por coincidência e paralelamente, o número de escolas privadas em Alagoas – em especial aqui em Maceió – teve um aumento exponencial. Desde então, em cada esquina encontramos um colégio privado. As consequências últimas deste processo foram: rebaixamento da qualidade do ensino das escolas públicas, passando estas a atender os filhos da classe trabalhadora e centros educacionais privados especializados em aprovar seus estudantes no vestibular, voltados ao atendimento dos filhos das classes mais abastadas.
O que verificamos atualmente no ensino superior - tomando como base as décadas dos anos 1990 e 2000 - é justamente um falso discurso sobre a expansão dos  IFES (Instituição Federal de Ensino Superior). O fundamento último que rege o aumento do número de vagas de estudantes é o atendimento das necessidades surgidas na esfera produtiva de uma economia em crise. Tanto em relação ao treinamento e adequação da mão de obra aos novos imperativos do mercado de trabalho – agora com as demandas neoliberais – e, como efeito, o rebaixamento da qualidade do ensino, quanto em relação à abertura na área da educação ao financiamento privado.
Foi esta conjuntura que forjou a participação de diversos estudantes, ainda em seus primeiros meses de aula, a saírem do cotidiano vivido nas salas (quando essas existiam) e irem as ruas denunciar o descaso e as irresponsabilidades em curso na UFAL. A partir daí, Centros Acadêmicos foram criados, outros, reativados e, somados aos CAs que de certa forma conseguiram se manter ativos por um período considerável de tempo, boa parte do ME da UFAL protagonizou, por diversas vezes, momentos de embates com a reitoria no sentido de cobrar desta a efetivação das condições básicas que se espera de uma universidade. Ora obtivemos vitórias, ora fomos derrotados. Na prática, o que estava sendo colocado em xeque foi o modelo de educação que estava/está sendo colocado em prática no Brasil.
É evidente que existe uma série de variáveis que exercem papeis importantes nos desdobramentos das nossas lutas e mobilizações. Por isso que julgamos necessário, antes de adentrarmos na análise sobre o papel que tem exercido o DCE, colocarmos o nosso ponto de vista sobre o contexto geral em relação à economia, a sua relação com o Estado e as políticas deste direcionadas à educação. Assim, podemos partir agora para a questão central do texto e contribuir neste balanço.


[1]  Para se entender do que se trata a tese sobre a crise estrutural do capital, defendida pelo teórico István Mészáros, recomendamos a leitura do livro “Mészáros e a incontrolabilidade do capital”, da Profª Drª Cristina Paniago – Edufal, 2007
[2]  FMI: Fundo Monetário Internacional. BIRD: Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento.
               [3]  ANDES: Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior.




Além do Mito do DCE “gestão Correnteza”


Capitulo 2
As Lutas e o DCE “Gestão Correnteza”:
Indo para além do mito da quantidade de “atos”


Ora, por que em alguns momentos fomos derrotados? Por que em outros conseguimos ser vitoriosos nestes últimos embates entre o Movimento Estudantil e a reitoria da UFAL?
Para respondermos a esta pergunta é imprescindível levarmos em conta as organizações políticas que atuam no ME, uma vez que estas acabam tendo um peso significativo nas tomadas de decisões dos CAs, DAs e DCE. Isso não significa dizer que os estudantes que não fazem parte de uma determinada organização (seja um grupo, coletivo ou partido) não tenham a capacidade de, inclusive, tomarem as decisões mais acertadas e convencerem os estudantes que são membros de organizações sobre uma determinada posição a ser tomada pelo movimento. Mas, é inegável que a ação coletiva acaba tendo bem mais possibilidades de acertar e de ter maior poder de persuasão sobre a melhor política a ser feita do que as ações individualizadas. Isto aumenta não apenas a responsabilidade de cada estudante que faz parte de uma organização política, mas, também e principalmente, desta organização para com as decisões tomadas nas entidades representativas e o movimento estudantil de uma forma geral.
Nesse sentido, este segundo capítulo analisa os acontecimentos que fizeram parte do ME da UFAL e nas respectivas respostas dadas a estes pelo movimento Correnteza durante o período em que estes estão gerindo o DCE Quilombo dos Palmares.
            Nestes poucos mais de três anos de “expansão” da UFAL, várias revoltas surgiram das mais diversas localidades e cursos. Tais revoltas foram frutos de uma série de problemas (intensificação dos já existentes e surgimento de novos) que se fizeram presentes de maneira tão aguda na vida dos estudantes, não lhes restando alternativas senão protestar e exigir da administração da Universidade as mínimas condições de seu funcionamento.
            Para expormos uma avaliação sobre a participação da Correnteza nestas revoltas estudantis, temos que ressaltar toda a luta dos setores mais combativos da UFAL contra este tipo de expansão. Vale-nos lembrar, que todos os questionamentos sobre a REAL possibilidade de termos um “boom” nos/dos problemas da UFAL foram levantados em 2007, data em que se aderiu ao decreto REUNI (Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais; Instituído pelo Decreto nº 6.096, de 24 de abril de 2007).
Mesmo com estas lutas, após a realização do Conselho Universitário, no qual a empresa de serviços de segurança patrimonial bateu em estudantes e professores que se manifestavam pela construção de um plebiscito sobre o REUNI, para que toda a comunidade acadêmica pudesse opinar sobre este decreto, a reitoria da UFAL chamou outro Conselho que foi realizado no auditório do Hospital Universitário (evitando assim qualquer tentativa de manifestação em virtude do silêncio – sempre obrigatório em hospitais) e, sob a presença da Polícia Federal, aprovou, com o apoio da maioria dos diretores de centros e unidades acadêmicas, a adesão da UFAL ao decreto do REUNI.
Após esta adesão, feita no fim de 2007, o prelúdio de um colapso na concepção de educação superior empregado na UFAL, vira uma realidade.
Não nos é necessário listar todos os problemas que se intensificaram e outros tantos que surgiram com a irresponsável expansão da UFAL. E, mais ainda, também nos é dispensável fazermos uma alusão a uma das maiores bandeiras históricas do ME que reivindicamos: a expansão do ensino superior. Neste momento, apenas nos cabe deixar claro – mais uma vez – que nunca fomos contra a expansão da UFAL. Somos contra o modelo de expansão que foi adotado pela cúpula da nossa universidade que, por sua vez, vem no bojo das transformações que passam as IFES, no stricto sentido de atender as demandas oriundas do processo de adequação da esfera produtiva, as necessidades do sistema capitalista em crise estrutural, conforme mencionamos no primeiro capitulo.
            Ou seja, não existe fundamentalmente, a nosso ver, contradição entre todos os problemas que estamos passando e o projeto do REUNI. Não se trata de má gestão, ou mero acaso do destino de uma universidade locada num estado “vocacionado” a ser o pior em termos educacionais do país. Antes disto, significa dizer que fazemos parte de um todo que esta se transformando e, no nosso caso, o papel que nos oferecem, é desempenhar a função de uma universidade periférica, reprodutora do conhecimento produzido nos grandes centros – leia-se eixo Rio de Janeiro/São Paulo. Nosso trunfo, em última análise, é sermos um verdadeiro “escolão de terceiro grau” uma vez que o tripé ensino-pesquisa-extensão, há tempos sepultado para a maioria dos estudantes da UFAL, nos é negado a partir do momento em que entramos aqui. Há de se considerar neste ponto que, segundo dados da própria reitoria, 80% dos estudantes que passam por aqui, sequer fazem parte de algum projeto de pesquisa ou extensão.
            Contudo, ainda há setores que resistem e tentam retomar o caráter de universidade que estamos perdendo. Retomada esta que passa, necessariamente, por uma defesa intransigente de termos uma instituição que nos permita pesquisar e debater amplamente sobre os problemas da sociedade – em todos os níveis e instâncias; que nos conceda a histórica liberdade de cátedra[1]- conquista fundamental para um ambiente universitário; e que tenha o seu financiamento e gerenciamento exclusivamente público e gratuito.   
            Estas resistências, aliadas às condições objetivas e materiais, ainda nos permitem desenvolver, minimamente, um conhecimento crítico sobre todo este processo e, assim sendo, em vários locais e setores que faziam a defesa deste projeto de expansão - num passado recente - começaram a perceber o que realmente estava por trás de toda a propaganda deflagrada pelo Governo Federal e Reitoria sobre o “crescimento” da UFAL.
           Como afirmamos acima, revoltas e mais revoltas se propagaram pelos três Campi e seus respectivos Pólos. Chegamos ao cumulo de termos que lutar por papel higiênico!
            Da falta de professores, blocos e hospitais-escola nos Campi de Arapiraca e Delmiro Gouveia, à disputa entre turmas por salas em Maceió, o que vimos foi a concretização de uma concepção de educação voltada apenas para a quantidade, sem se ter a mínima preocupação com a qualidade e com os profissionais formados aqui.
            Em meio a tantos problemas, os estudantes começaram a se mobilizar e a perceber que só através do embate direto com a Reitoria e seus representantes, poderíamos, no mínimo, angariar algumas melhorias e expor à sociedade, as arbitrariedades em curso na UFAL.
            Foi assim, que diversos estudantes dos mais variados cursos, que sequer tinham anteriormente participado e/ou feito movimento estudantil, tomaram a iniciativa de se mobilizar frente aos problemas mais imediatos. Foi justamente neste contexto que tivemos a participação da Gestão Correnteza nestas reivindicações. Com o aparato do DCE, os membros desse grupo se fizeram presentes em boa parte destas mobilizações que surgiram neste período.
            Sempre presentes nas fotos, nas entrevistas e nas falas em público, alguns poucos membros da Correnteza – na maioria das vezes apenas um – se apresentaram enquanto “referência” e “representantes” destes novos estudantes em movimento. Não foram raros os momentos em que estes membros tentaram “direcionar” os rumos de cada mobilização e, na maioria, colocaram como estratégia última, a formação de comissões (eles dentro destas, claro!) para se alcançar “prazos” para a “resolução” de pautas reivindicativas dos estudantes.    
Além destas mobilizações originadas no dia a dia e na disposição de luta desses novos estudantes, existiram outras situações que, sob a interferência da Correnteza, acabaram se resumindo ao que poderíamos chamar de “atos em série”. Expliquemos melhor esta expressão.
            Vimos, por diversas vezes, a execução de “atos” a torto e a direito que, em linhas gerais, se encaixaram no seguinte modelo sequencial: 1) Passeata de uma ou duas horas; 2) Entrega de algum documento contendo as pautas reivindicativas à reitoria; 3) Entrada de uma comissão em algum órgão administrativo; 4) Saída deste órgão com vários prazos em mãos (dos quais, boa parte já haviam sido anteriormente acordados); e 5) Um jornal no dia seguinte chamando estas etapas anteriores de “vitória”!
            A reunião de comissões em gabinetes parece ser a razão última da Correnteza e os prazos (re) estabelecidos são o que eles têm chamado de vitórias.
            Todas as reivindicações colocadas na ordem do dia - como, por exemplo: “RU para todos” - há tempos vêm sendo pleiteadas pelo ME, sendo que prazos, em momentos anteriores (2005-2007) já haviam sidos acordados entre o movimento e a Reitoria e, durante todo este tempo, o que vimos fora esta “empurrar com a barriga” tais reivindicações. E todos os grupos e organizações políticas têm pleno conhecimento disto e, mesmo assim, a Correnteza “optou” por continuar “sentando” para “conversar” com a Reitoria. O resultado disto foi a continuação do não atendimento das pautas, apenas conversas transformadas pela Correnteza, em conquistas de jornal.     
            Como se não bastasse, o período em que estes “atos” foram organizados, foi justamente em tempos pré eleições do DCE. Tanto na primeira eleição, na qual a Correnteza se elegeu, quanto em sua “reeleição” (explicaremos as aspas da palavra reeleição no final deste capítulo), em setembro de 2011. De fato, o que vem levando a direção da Correnteza - o Partido Comunista Revolucionário/PCR - a realizar estes tipos de atos é a necessidade de se forjar a idéia de que eles estão lutando em prol dos estudantes, sob o único intuito de se perpetuarem na direção do DCE. Nesta saga para se manter na direção da entidade, aproveitam-se de qualquer situação para se encaixarem na foto – de preferência na frente e no meio – para que, no dia seguinte possam ter uma boa capa de jornal. Para sermos o mais educado possível, podemos resumir tudo isso em duas palavras: Oportunismo barato.
            Esta opção política se reflete claramente pela subjunção das ações da atual gestão do DCE frente à Reitoria. Um dos muitos exemplos típicos desta “estreita” relação foi o arquivamento feito pela gestão do DCE da proposta aprovada pelos CA’s e DA’s no CEB (Conselho de Entidades de Base) que empossou a primeira gestão da Correnteza. A saber: a ocupação de uma sala no Campus A. C. Simões para ser a Sede da Entidade (outra pauta que há tempos só temos promessas). Como bons moços que são em relação à Reitoria, até hoje esperam (em algum gabinete da vida) a concretização da promessa de uma sede no Campus Maceió feita há mais de 3 anos!
            O “fim da picada” foi a criação de um ato “do dia para a noite” no prédio da reitoria, em outubro de 2010. Servindo feijoada aos estudantes que se fizeram presentes. Eles, mais uma vez, tentaram vender a imagem de uma gestão de DCE combativa; que estava na luta por um “RU para todos”. Os problemas – além de mais uma reunião de gabinete, que por sinal, não aconteceu -- foram os seguintes detalhes que circundaram o momento em que eles fizeram este ato:
Primeiro: uma semana antes, CA’s e DA’s do Campus Maceió, ocuparam o RU e ofereceram o jantar de graça aos estudantes para denunciar os quase três anos de não cumprimento do acordo firmado em 2007, no qual a reitoria se comprometera em construir um RU para todos num prazo de um ano.
Segundo: um dia depois do “ato feijoada” a UFAL anunciou a abertura do edital de licitação do projeto de RU para todos. Coincidência, não?
Todas estas ações tomadas pela Correnteza (sempre tendo em mente que o PCR é central nas tomadas de decisões deste grupo) é resultado de uma leitura equivocada da realidade social. Baseados numa mistura de Stalinismo e Social Democracia[2], o PCR imprime na UFAL - através das ações da Correnteza - uma política de “luta de faz de contas”, ludibriando a boa vontade dos novos estudantes que se colocam para as lutas.
Infelizmente, para eles e, felizmente para o movimento estudantil como um todo, este tipo de postura política tende a desfalecer em momentos em que as lutas se apresentam de maneira mais intensa. Neste mesmo sentido, as experiências destes estudantes com estas ações políticas tendem a levá-los à percepção das incoerências produzidas e reproduzidas pela Correnteza. E os dois últimos grandes acontecimentos que envolveram o ME da UFAL só confirmam esta tendência. Vejamos:
Primeiro, vimos o desespero dos dirigentes do PCR quando os setores mais progressistas da Universidade decidiram montar uma chapa para disputar as eleições para a Reitoria: como explicar para os estudantes a não construção da campanha da Professora Valéria Correia e da chapa[3] “Outra UFAL é Possível”? A incoerência ficou tão latente que os dirigentes do partido decidiram fazer com que cada membro da Correnteza decidisse por si só qual candidato apoiar para reitor.
Os dirigentes acabaram indo para o seu único e deplorável caminho: a oposição de “faz de contas” do Professor Paulo Vanderlei. Os demais tiveram que, timidamente, votar na Professora Valéria e, outros tantos, lamentavelmente, votaram no candidato da situação: Professor Eurico Lôbo.      
Segundo, assistimos ao longo do processo eleitoral 2011/2012 para o DCE UFAL a uma verdadeira aula de antidemocracia e oportunismo dada pelo PCR. Felizmente, não fomos os únicos a assistir e, principalmente, perceber o jeito a La Correnteza de se fazer movimento estudantil. Vejamos:
Durante este processo eleitoral, tivemos a eclosão da greve dos professores da UFAL. Esta greve - que, obviamente, se tornou o centro das discussões da UFAL - acabou forçando a Correnteza a convocar uma assembleia estudantil para que os estudantes pudessem se posicionar frente à greve. Marcada a assembleia, a comissão eleitoral das eleições do DCE (com aproximadamente 75% dela, composta por membros da Correnteza) se reuniu e decidiu que, caso a greve durasse uma semana ou mais, o processo eleitoral seria suspenso.
Em assembleia, os estudantes decidem não entrar em greve. Porém, estabelecem um documento contendo uma extensa pauta reivindicativa a ser discutida com a administração da UFAL na presença do MPF (Ministério Público Federal) numa audiência pública aberta a todos os estudantes. Decidem também – a contra gosto da Correnteza – pela ida de todos os estudantes da assembleia ao gabinete da Reitoria, condicionando a saída de todos do local à execução da audiência.
Pois, bem, tínhamos agora mais outra situação no meio das eleições do DCE: a ocupação do gabinete da Reitoria, pois, como já era de se esperar, a reitora não deu nenhuma resposta concreta aos estudantes e estes decidem ficar e manter a deliberação da assembleia, de só saírem com a execução da audiência pública.
            Um dia depois do fim da greve dos professores e em plena ocupação do gabinete, tivemos mais uma reunião da comissão eleitoral para avaliar o processo de eleição. Para a nossa ‘não surpresa’, a Correnteza - mesmo com toda essa movimentação política na Universidade e, também, mesmo com a informação de que não estavam havendo aulas no Campus Sertão - decide pela manutenção das datas de votação das eleições que se tinha previsto antes da greve e antes da ocupação. Ou seja, os dias de votação para a nova diretoria do DCE – decidiram eles – iriam acontecer em uma semana. Isso sem sequer sabermos até quando iria durar a ocupação do gabinete da reitoria!
Assim sendo, as chapas inscritas teriam pouco mais de 5 dias para fazer campanha por toda a UFAL e participar dos debates (quatro no total: dois em Maceió, um em Arapiraca e um em Delmiro Gouveia) e, ao mesmo tempo, manter a ocupação, já que boa parte de seus membros são do movimento estudantil.
Resultado dessa postura: apenas um, dos quatro debates, aconteceu! Este fora realizado no ICHCA (Instituto de Ciências Humanas, Comunicação e Artes), no campus Maceió, com a participação - quase que exclusiva – de apenas membros das chapas. Por que os estudantes não apareceram? Ora, eles sequer sabiam que estava tendo eleição, debate então, nem se fala! 
Enquanto os estudantes e os demais grupos e organizações políticas garantiam a permanência e organização do espaço da Reitoria, os membros da Correnteza passavam o dia fazendo campanha para o DCE. Enquanto o Movimento estudantil passava em sala para chamar mais estudantes a se somarem à ocupação, a Correnteza passava o dia panfletando material de campanha da chapa, anunciando o inexistente fim da ocupação e reapareciam à noite, no gabinete da Reitoria, para se juntar a quem de fato estava na luta e participar das reuniões deliberativas.
            O leitor mais atento deve estar se perguntando o real interesse deles optarem por manter as eleições do DCE nestas condições. A resposta, após termos exposto várias caracterizações sobre a Correnteza é simples: medo de confrontar as idéias sobre as ações que estes fizeram enquanto estiveram à frente do DCE durante um ano e, conseqüentemente, a perda das eleições. Pois, eles sabiam que os grupos e organizações políticas sérias, não iriam hesitar na hora de priorizar a participação na ocupação da Reitoria em detrimento de uma eleição para o DCE, pois, para quem faz movimento estudantil com o mínimo de seriedade, uma luta por melhores condições na educação é bem mais importante do que uma eleição de uma entidade! Infelizmente, não é assim que pensam aqueles que hoje ocupam a maior parte dos cargos do DCE Quilombo dos Palmares.
Na semana que a UFAL voltou a ter aulas, após a greve dos professores, num processo eleitoral marcado por não haver debates nem campanha - por conta do tempo em que estivemos em greve e na ocupação; acrescentando o fato de não se estar havendo aulas no Campus de Delmiro Gouveia, o resultado foi o não atingimento do quórum (número mínimo para se validar as eleições, no caso, 30% do total de alunos regularmente matriculados). O número de votantes ficou abaixo dos números das eleições passadas, mesmo com o considerável aumento de estudantes na UFAL (ver nota do Grupo sobre as eleições em nosso Blog[4]). Não é de se surpreender que boa parte dos CA’s da UFAL Campus Maceió não reconheça como legítima a atual diretoria do DCE.
Contraditoriamente, foi a mesma Correnteza que, no primeiro semestre, fez campanha para que as eleições para reitor (a) fossem no segundo semestre, utilizando como justificativa – pasmem! – a necessidade de um tempo razoável para termos um amplo debate de ideias entre os três candidatos. Mais ainda, eles acusavam a administração central da UFAL (professora Ana Dayse e seu candidato, professor Eurico Lôbo) de antidemocráticos, ao passo que a Reitoria insistia em fazer as eleições em pouco mais de um mês.
Agora, o mesmo grupo político colocara em prática aquilo que eles mesmos combateram meses atrás. AGORA, O MESMO PCR BANCAVA AS ELEIÇÕES DO DCE EM MENOS DE UMA SEMANA!
Estes dois últimos acontecimentos, como dissemos, evidenciaram para boa parte dos novos estudantes o quanto é nocivo este tipo de concepção política. Como conseqüência imediata, a Correnteza, no fim de segundo semestre de 2011, só acumulou derrotas na maioria dos Centros Acadêmicos do Campus Maceió. Podemos citar os exemplos das vitórias de oposição do Diretório Acadêmico Freitas Neto (Comunicação social) e do Centro acadêmico de Economia, entidades que até então eram conduzidas – não apenas -- por membros da Correnteza. E, enquanto a Correnteza amargava as derrotas em quase todos os CA’s do Campus Maceió que eles atuavam, a sua posse de “reeleição” do DCE era feita pela vice-reitora da UFAL, professora Raquel Rocha. 
Neste sentido, o Grupo Além do Mito... entende que estamos num momento decisivo de aprofundamento da nossa compreensão sobre como se fazer movimento estudantil, momento este, em que precisamos de força para lutarmos em defesa da educação. O passado recente das lutas estudantis da UFAL, nos mostra que as reivindicações postas pelas contradições objetivas do atual estágio da adequação das Universidades às necessidades da esfera produtiva, só se fazem vitoriosas quando colocamos em prática uma concepção de ME para além da politicagem e do oportunismo, características estas que hoje são representadas pela Correnteza. No próximo capítulo, colocaremos nossa concepção sobre as práticas que julgamos serem as mais acertadas e os desafios que estão postos para o ME da UFAL neste próximo ano. 





[1]Liberdade de cátedra: Conquista conseguida historicamente pelas universidades, que confere o direito de se poder desenvolver dentro da academia, conhecimentos e opiniões sobre quaisquer assuntos e demandas da sociedade, sem a interferência de organismos externos, como a Igreja, as Forças Armadas, grupos políticos, empresários, etc.  

[2]Stalinismo: do stalinismo, o PCR põe em prática a antidemocracia nos espaços de discussão e deliberação do DCE, como as reuniões, CEB’s, assembléias, etc. Tal característica se reflete em um DCE que não publiciza as suas reuniões; que não realiza o seu congresso (maior espaço de discussão e deliberação da entidade e que deve acontecer de 2 em 2 anos); que toma decisões unilateralmente (às escondidas); que não realiza periodicamente os CEB’s (algo que é previsto e garantido no estatuto da entidade); e vários outros exemplos. Social democracia: desta concepção, o PCR aplica em suas práticas a luta meramente institucional (de gabinete); a busca por cargos nos aparelhos burocráticos e atrelados ao estado, como a UNE, por exemplo, etc..

[3]. Chapa que aglutinou os setores progressistas e de esquerda da UFAL, dentre professores, estudantes e técnicos, durante as eleições para reitor (a) do quadriênio 2012\2016. Nestas eleições, depois de muitos anos, tivemos na universidade uma oposição declarada à gestão da Professora Ana Dayse e ao grupo que há mais de 20 anos se mantém no poder central da UFAL. Tivemos também as candidaturas dos professores Eurico Lôbo (situação) e Paulo Vanderlei.

[4]. HTTP://grupoalemdomito.blogspot.com





Além do Mito do DCE “gestão Correnteza”


Capítulo 3
Movimento Estudantil:
um olhar real, indo além do mito
        
          
É no mesmo sentido e direção destas movimentações políticas que tomaram conta do ME Campus Maceió, que enxergamos a necessidade de aprofundarmos a superação dessas velhas práticas, pois historicamente estas se mostraram insuficientes para atender as lutas reais em defesa de uma educação efetivamente pública e de qualidade.
Neste capítulo, apontaremos os próximos passos que julgamos ser os mais acertados na construção e consolidação de uma perspectiva que nos possibilite o desenvolvimento de uma luta intransigente por uma concepção de ME efetivamente distante das velhas práticas, com métodos radicalmente democráticos, permitindo a cada estudante desenvolver, no percurso dessa ação, um pensamento crítico sobre a universidade e a sociedade como um todo.
O que nos impulsiona a combater esse tipo de movimento estudantil colocado pelo DCE “gestão Correnteza” e propor novas práticas para o ME, é a nossa clareza de que o atual estágio de precarização da universidade pede ações concretas e efetivas, para termos, de fato, possibilidades reais de conseguirmos a educação que tanto almejamos.
Para tanto, precisamos de um movimento estudantil autônomo, independente das reitorias e do Governo Federal, livre dos interesses de autoconstrução dos partidos políticos acima do próprio movimento. Enfim, precisamos acabar com todas as práticas que ainda trazem consigo estas concepções.
Isto significa, obrigatoriamente, não apenas combatermos o velho, mas principalmente desenvolvermos na base estudantil uma perspectiva que consiga colocar na ordem do dia um debate sobre novos métodos que não tolerem nos espaços estudantis atuações a La Correnteza.    
É neste momento que se faz necessário ter em mente, com a maior clareza possível, o conhecimento sobre os interesses antagônicos que estão postos na universidade. Por um lado temos os interesses de um pequeno grupo que detém quase a totalidade do poder econômico e político, sendo esse, o responsável pelo direcionamento da maior parte do conhecimento que é produzido aqui. Este pequeno grupo está na gerência das IFES e do Estado como um todo. Por outro lado, temos o clamor das massas trabalhadoras que não detém o poder político nem econômico do Estado. Tão pouco tem os seus interesses representados no conhecimento que é produzido na academia. Menos ainda suas demandas são contempladas pela ação do Estado. Isso se torna evidente quando observamos os milhões de reais investidos no melhoramento genético da cana de açúcar e em bebidas energéticas para aumentar o rendimento dos cortadores de cana-de-açúcar, ao mesmo tempo em que vemos ínfimas bolsas de 360 reais para financiar as pesquisas que investigam as relações de trabalho desumanas dos trabalhadores rurais de Alagoas. Frente a este quadro, fica notório que não temos como passar inertes diante dessa situação enquanto universitários. É aqui que os posicionamentos tirados pelo ME ganham corpo e tomam uma dimensão social que não deixam espaços para uma atuação, que tem nas reuniões de gabinetes, seu fundamento último.
É neste sentido que o movimento estudantil que defendemos tem que tomar para si a responsabilidade de se colocar ao lado dos interesses da classe trabalhadora, pois é esta que, através do seu suor, gera toda a riqueza consumida pela sociedade[1] e, conseqüentemente, financia toda a estrutura da universidade – desde a construção e manutenção de seus prédios, passando pelo pagamento do salário dos nossos professores, até o financiamento das pesquisas e do conhecimento produzidos aqui.
Dessa forma, as lutas por um restaurante universitário aberto a todos da comunidade acadêmica, a luta por residência suficiente em todos os Campi e Pólos; e a luta por bolsas de assistência estudantil voltadas para ensino, pesquisa e extensão, por exemplo, devem ter como plano de fundo os interesses dos trabalhadores, interesses estes que fazem parte não apenas do cotidiano da universidade, mas da sociedade como um todo.
É por isso a nossa crítica férrea aos atos criados do “dia para noite” e que tem como objetivo último, apenas a autopropaganda de partidos políticos que vislumbram única e exclusivamente a sua perpetuação burocrática nas entidades representativas, fato este que não aguça a criticidade dos estudantes frente às reais causas dos problemas da universidade, fazendo passar apenas a idéias de que são problemas pontuais, resultados da má administração ou de incompetência político administrativa dos governantes.
           
Proposições para além do fenômeno Correnteza no ME da UFAL
            Em meio a isto, fica evidente a importância da atuação conjunta dos CA’s e DA’s para a organização das lutas estudantis na universidade, pois as demandas específicas de cada curso, quando aglutinadas em uma pauta geral, podem fortalecer a nossa defesa do ensino público superior, tendo como base o que expomos a cima.
            Esta unificação das pautas é o que acreditamos ser o primeiro e fundamental passo para um ME verdadeiramente comprometido com as lutas que efetivamente possam gerar vitórias reais para nós estudantes. Dessa forma, precisamos criar espaços de discussão, em todos os Campi, sobre os problemas relativos à universidade, a fim de maturarmos teoricamente o debate sobre estes problemas para termos melhores condições de atuação prática em nossas reivindicações. Isso não significa que temos que ver a teoria para depois colocarmos em prática. Estamos apenas defendendo a necessidade de estarmos sempre discutido conjuntamente os problemas educacionais, ao mesmo tempo em que lutamos pela educação. 
            Além disso, entendemos que nossa participação no Fórum em Defesa da UFAL Pública, Gratuita e de Qualidade - organização criada pelos docentes que estavam à frente da última greve da universidade - é um importante instrumento para se aglutinar professores, técnicos e estudantes de toda universidade que, assim como nós, convergem com as concepções que se colocam em defesa da universidade pública e dos interesses da classe trabalhadora.
            A criação dos Campi de Arapiraca e Delmiro Gouveia e seus respectivos Pólos, colocou para o ME um novo desafio. Se até então a unificação das lutas dos cursos do Campus Maceió era uma tarefa árdua, agora se faz muito mais difícil. É evidente que as lutas travadas pelos estudantes dos novos cursos foram de fundamental importância para as vitórias parciais que estes tiveram ao longo dos últimos seis anos, como por exemplo, as lutas dos cursos de Medicina Veterinária, de Viçosa e Serviço Social, de Palmeira dos Índios. É evidente também que se houvesse uma unificação das lutas de todos os cursos da UFAL (de todos os Campi) as possibilidades de termos mais forças para maiores conquistas aumentariam consideravelmente.
            Aqui se faz necessária uma autocrítica no sentido de reconhecermos nossa parcela de responsabilidade na não concretização desta unificação desde o início. Mesmo assim, isto não nos impede de corrermos atrás do prejuízo e de nos colocarmos, neste momento, para esta tarefa, como uma das nossas principais prioridades. Afinal, como afirmamos acima, todos os problemas da UFAL, apesar das particularidades de cada curso, têm suas bases comuns nas políticas e projetos educacionais colocados de forma vertical pelo Governo Federal e pela Reitoria desta universidade.
            Não iremos nos furtar desta articulação, ou seja, pretendemos ir para além do simples apoio nas reivindicações das pautas específicas de cada curso, quer seja numa aproximação mais efetiva com o ME dos Campi e Pólos onde não atuamos, quer seja na intensificação da nossa luta nos locais onde já atuamos.
            Igualmente, enxergamos a extrema urgência em alavancarmos o debate da construção de novas perspectivas para o ME em âmbito nacional. Por isso estamos, dentro das nossas possibilidades objetivas, em contato orgânico com estudantes e organizações de outros estados (como Bahia, Paraná e São Paulo) que também vislumbram esta mesma necessidade de superação das velhas práticas ainda presentes em boa parte do movimento estudantil brasileiro.
            Estas pretensões que nos colocamos a realizar este ano somam-se às práticas que cotidianamente construímos ao longo dos sete anos de nossa existência. Isso significa reafirmarmos nossa intransigência em executarmos o trabalho de base que sempre prezamos nos cursos e nos Centros e Diretórios Acadêmicos onde atuamos, respeitando a autonomia destas entidades e as demais organizações estudantis, com seus respectivos fóruns de discussões e deliberações.
            Sabemos de nossas limitações e dos desafios que estão postos. No entanto, nos colocamos a frente de tal responsabilidade por entendermos a urgência de não nos deixarmos levar pela correnteza dos projetos neoliberais, que sucateiam a universidade pública de forma cada vez mais avassaladora. E não iremos! Vamos à luta pela construção de uma educação pública, gratuita, de qualidade, laica, socialmente referenciada e voltada para os interesses da classe trabalhadora! 

Além do Mito da Correnteza!
Além do Mito do governo Dilma!
Além do Mito que limita o infinito!



[1]  Para saber sobre quem de fato produz a riqueza material da sociedade, recomendamos o livro “introdução a filosofia de Marx”, dos professores Sério Lessa e Ivo Tonet, da editora expressão popular e livre para Download no site HTTP://sergiolessa.com. Trata-se de uma leitura fácil e didática sobre o tema.