quarta-feira, 26 de setembro de 2012

CONVITE - Um chamado à unidade



Maceió, setembro de 2012

A educação pública superior do Brasil passa por um momento difícil. A reforma universitária em curso começou na era FHC, teve seu aprofundamento com o governo Lula e, agora, segue seu percurso com Dilma.
Tal reforma atende, em linhas gerais, as demandas do setor privado com um duplo caráter: por um lado, temos a necessidade de crescimento das redes particulares de ensino, as quais o governo financia através do PROUNI e FIES. Por outro, o governo precariza as poucas universidades públicas por meio de uma expansão irresponsável de novos Campi e ausência de investimentos suficientes para atender as demandas dos já existentes.
Essa política pode ser verificada em nosso dia a dia na UFAL. Os problemas se espalham por todos os lados: a expansão, tanto alardeada pela reitoria, se mostra com uma greve de 5 meses no Campus Arapiraca por parte da comunidade acadêmica cobrando condições básicas de ensino; em Delmiro Gouveia, o Campus só foi entregue depois de uma greve de 3 meses e após 3 anos de existência da UFAL no sertão.
Em Maceió, aumenta-se o número de estudantes sem que se aumente paralelamente e proporcionalmente o número de professores, funcionários e estrutura física das instalações. Restando à comunidade a disputa por salas, remanejamento de turmas por toda a UFAL, várias turmas tendo aulas ao mesmo tempo com um único professor, estudantes cumprindo funções de técnicos administrativos (sob o disfarce de bolsas de ajuda de custo), entre vários outros fatores.
Nessa situação, faz-se cada vez mais urgente e necessária a intervenção dos setores da academia que não coadunam com esse projeto de educação que está em curso por todo o país e que, aqui, se revela de maneira mais nítida, uma vez que a UFAL carrega consigo os traços sócio históricos do Estado de Alagoas, marcado profundamente pelas disparidades sociais, coronelismos, concentração de renda e poder.
Nesse sentido, nós estudantes temos um papel fundamental na universidade. Além de estudarmos, não podemos assistir o desmonte que vem sendo executado pela reitoria e governo federal à educação. É por isso que deve existir o movimento estudantil. Organizados nos centros e diretórios acadêmicos, podemos ter mais força em nossas reivindicações. Neste contexto, o DCE tem um importante papel para UNIFICAR as demandas dos estudantes a fim de juntos termos melhores condições para lutar por nossos direitos.
Infelizmente, não verificamos esse papel sendo cumprido pela atual gestão do DCE Quilombo dos Palmares.
A Correnteza vem ao longo desses dois últimos anos cumprindo o papel de desagregar todas as demandas estudantis. O desrespeito aos espaços de discussão e deliberação dos Centros e Diretórios Acadêmicos é a tônica de suas ações. Há um ano que não ocorre Conselho de Entidades de Base. O papel que este grupo jogou nas últimas eleições para o DCE e o papel que cumpriu durante a greve foi de desrespeito a instituição democrática e as instâncias colegiadas de decisão do movimento, tal como o Comando de Mobilização Estudantil. Além dessas questões, o desempenho político da Correnteza foi, apesar da aparência, de total atrelamento aos gabinetes da reitoria.
Estas posturas das atuais gestões do DCE e as situações da educação que estamos passando nos colocam na obrigação de nos envolvermos ainda mais na luta pela educação pública e de unificarmos os setores dos estudantes que não concordam com as práticas da Correnteza.
Assim, precisamos não apenas negar as políticas precarizantes da educação, mas principalmente afirmar um projeto próprio de educação. Acreditamos que há importante potencial de convergência entre grande parte dos estudantes nesse projeto para a UFAL. Acreditamos que as lutas que emergem cada dia mais claramente no seio da universidade trouxeram experiência ao movimento estudantil combativo, a qual deve ser empregada na unidade do movimento em torno de um programa mínimo e comum e de lutas reais dos estudantes da UFAL e dos trabalhadores que pagam para que possamos estudar aqui.
Chamamos à construção da unidade em torno de propostas comuns aos atores de esquerda do movimento estudantil da UFAL. Com isso não desejamos negar nossas divergências, mas afirmar, acima de tudo, que temos mais convergências do que divergências. Convidamos, então, a ANEL, os militantes independentes, coletivos e estudantes em geral da UFAL para a construção de propostas para uma chapa de unidade da esquerda para disputar as eleições para o DCE Quilombo dos Palmares – UFAL.


Saudações,

União da Juventude Comunista
e
Grupo Além do Mito...

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Nota do grupo "Além do Mito..." sobre o "Ato unificado dos trabalhadores da cidade e do campo":


A notícia da vinda da presidenta Dilma Rousseff a Alagoas, com a finalidade de inauguração de mais um polo da Braskem, quando funcionários de mais de 50 instituições federais e outros órgãos do serviço federal se encontram em greve, fez com que os grevistas, além de outras organizações civis e movimentos sociais, se organizassem em um ato unificado com a finalidade de apresentar à presidenta e aos demais presentes, os problemas pelos quais vêm passando.
Os baixos salários, as péssimas condições de trabalho e a ineficiência da reforma agrária, foram as reivindicações que estavam sendo cobradas. Infelizmente, estas questões vêm sendo deixadas de lado, demonstrando, portanto o caráter neoliberal e explorador de um governo que se pinta de defensor dos trabalhadores e que ainda consegue cooptar, por meio de seus discursos, determinados setores dos movimentos sociais.
Por isso, no dia 17 de agosto, estudantes, técnicos e professores da Universidade Federal de Alagoas e do Instituto Federal de Alagoas, unificaram-se com outras categorias que também se encontram em greve no estado e os movimentos de luta pela reforma agrária. Porém, a ausência de diálogo e inflexibilidade se iniciou às 6:30 da manhã, quando um ônibus com manifestantes foi abordado e impedido de passar na via pública que dava acesso ao local do evento por policiais do BOPE, responsáveis pelo plano de segurança da vinda da presidenta. Ao longo do dia, as duas principais vias que davam acesso ao polo industrial de Marechal Deodoro foram fechadas e barreiras policiais instaladas: só passavam os que tinham autorização prévia. Além disso, se tinha notícia de que o exército estava espalhado pelas matas ao redor.
Alguns professores, estudantes e técnicos do IFAL e da UFAL conseguiram furar os três bloqueios e somaram-se aos manifestantes parados desde cedo. O reforçado corpo policial, tentava, a qualquer custo fragmentar a mobilização de recepção aos carros que chegavam para o evento. Armados com balas de borrachas, bomba de efeitos moral, cassetetes e escudos, ameaçavam, a todo o momento, os estudantes, professores e trabalhadores (além de ameaças verbais e tentativas de boicotar a distribuição de água), tentando a todo custo impedir a manifestação que tinha cunho pacífico e em nada ameaçava a integridade física da presidente.
Com toda essa estrutura repressiva armada, o ato não conseguiu cumprir a função de unificar os trabalhadores do campo e da cidade (ainda que, mesmo com suas limitações, sua construção tenha apresentado um canal de diálogo com a classe trabalhadora), tal qual se propunha, e os movimentos do campo não conseguiram se unir as demais categorias que estavam no local, o que desencadeou em mobilizações fragmentadas. Aqueles, visando entregar uma pauta contra a paralisação da reforma agrária no Brasil, entre outras dos Movimentos de Libertação dos Sem Terra (MLST), dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Terra, Trabalho e Liberdade (MTL) e Comissão Pastoral da Terra (CPT), optaram por interditar a AL 101 sul, principal acesso ao polo da Braskem, e com isso impediram a passagem dos convidados ao evento.
Resultado: em menos de uma hora, foram agredidos pelos instrumentos de choque do BOPE, da cavalaria militar, da polícia militar, além de seguranças particulares. Após a ação da tropa de choque e a repercussão, ainda que pequena na mídia local, provocou uma troca de acusações entre o governo de Alagoas e o Federal sobre de qual deles seria a responsabilidade pelo acontecido.
Ainda assim, a repercussão midiática majoritária foi de teor pejorativo, principalmente com relação aos companheiros dos movimentos do campo, aos quais foram direcionadas todas as críticas da manifestação. A mídia burguesa de Alagoas se absteve em expor o movimento grevista das categorias, reiterando o que vem acontecendo desde o início da greve. O foco novamente foi a criminalização ao movimento do campo, quando a manifestação era composta de uma unificação de categorias. Cabe destacar e repudiar as afirmações de algumas “autoridades” públicas e judiciárias que reforçaram a criminalização, demonstrando o caráter classista do Estado Brasileiro.
Esses ocorridos ressaltaram a valorização que o atual governo federal vem dando aos banqueiros, empreiteiros, grandes empresários e especuladores do capital mundial em detrimento das reivindicações de várias categorias e de movimentos sociais, e, em nome de um modelo de desenvolvimento econômico forjado a partir do investimento público no setor privado. Uma das consequências do capitalismo em sua roupagem neoliberal se dá a partir da ampliação da exploração das grandes multinacionais em localidades subdesenvolvidas, aproveitando-se da matéria-prima abundante, do barateamento da mão de obra (muitas vezes terceirizada, com direitos flexibilizados) e das isenções de impostos.
A construção da nova fábrica da Braskem torna Alagoas um dos maiores produtores de PVC da América Latina: o que temos a comemorar?
Em Alagoas fica às claras o descaso dos governos estadual e federal com a educação. Recentemente, Alagoas vem sendo notícia não só pelos baixos índices no IDEB, mas pela desvalorização do trabalho docente e casos latentes de corrupção em construções e reformas nas escolas. Todos os cortes de verbas destinados à educação e investimentos direcionados aos megaeventos, multinacionais, privatizações e outras formas de incentivo à iniciativa privada que o governo Dilma tem feito, é sentido e muito pelos estudantes do ensino superior que estão desenvolvendo suas graduações de maneiras lastimáveis, seja por falta de assistência estudantil, que desemboca no alto índice de evasão; seja por uma infraestrutura comprometida, em que salas de aula são insuficientes, assim como laboratórios; seja pela exploração dos professores e cobrança de produção quantitativa em pesquisas, isto é, deixando a qualidade e relevância da produção científica de lado - o que não significa também que o número de bolsas para pesquisa tenham aumentado, a menos que haja investimento privado.
Encerramos a nota pontuando a necessidade da construção coletiva entre os setores combativos dos movimentos sociais em Alagoas, reafirmar a importância de prestarmos solidariedade e encampar a luta dos companheiros do campo e da cidade, entendendo que a luta por uma universidade pública, gratuita e de qualidade perpassa pela disputa de um mundo livre e mais justo!

Assina esta nota: Comando de Mobilização Estudantil da UFAL (CME-UFAL).