terça-feira, 14 de setembro de 2010

Balanço do grupo além do mito sobre a campanha do plebiscito popular pelo limite da propriedade de terra

A campanha nacional do plebiscito popular pelo limite da propriedade de terra, organizada pelo Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo, que congrega importantes entidades como a CNBB (conferência nacional dos bispos do Brasil) e a OAB (ordem dos advogados do Brasil) dentre outras, terminou neste domingo dia 12 de setembro na maior parte dos Estados do País. Por entender a importância de tal campanha o Grupo Além do Mito se dedicou a construir a mesma em diversas localidades da cidade de Maceió e dentro da UFAL participando deste que foi sem sombra de dúvidas um momento importante na luta pela terra em nosso país.

Entendemos no debate do plebiscito a possibilidade de recolocar a discussão da reforma agrária em nosso país para a população, o tema há muito se encontrava perdido ou tratado de forma pejorativa pela mídia. A campanha consistiu em um plebiscito com duas perguntas e um abaixo assinado cuja intenção seria propor ao congresso nacional um inciso na constituição limitando o tamanho máximo da propriedade de terras para 35 módulos fiscais (valor que próximo as cidades equivaleria a 175 hectares e próximo da região amazônica a 3.500 hectares).


Avaliamos tal proposta como obviamente uma proposta limitada, haja visto que uma propriedade média equivaleria a 15 módulos fiscais, ficando a posse de grandes propriedades ainda plenamente assegurada, e principalmente por esbarrar nos claros limites do Estado democrático de Direito, não tendo um horizonte para além disso. No entanto, é perfeitamente razoável a proposta na atual conjuntura defensiva em que se encontram os movimentos sociais e pautas como a luta dos trabalhadores sem terra encontram-se totalmente distante das massas. O maior ganho da campanha foi levar para a juventude e para os trabalhadores do Brasil a necessidade de repararmos esse erro histórico de nosso país, reavivar esse importante debate no seio de nosso povo.


O PLEBISCITO EM MACEIÓ

Por ser a única cidade em que atuamos, o grupo além do mito concentrou seus esforços na cidade de Maceió, ficando , portanto impossibilitado da nossa parte fazer qualquer avaliação sobre a repercussão do plebiscito no interior do Estado. Apesar de nossas debilidades, fizemos o possível para garantir todas as urnas que nos predispusemos: estivemos presentes no centro da cidade, na missa da padroeira da cidade, no grito dos excluídos e dentro do Campus A.C Simões da UFAL, construindo ombro a ombro com os companheiros da CPT e do MST esta importante tarefa.


Reiteramos que apesar dos erros e das debilidades estruturais do grupo nos esforçamos ao máximo, entendemos que a desorganização de alguns movimentos que estavam construindo a campanha (do qual o além do mito é um exemplo) são reflexo desse momento defensivo que vivemos, difícil para todos aqueles que constroem movimentos de resistência e de enfrentamento contra a burguesia.


Não podemos deixar de lamentar, porém, a ausência que se fez notar da parte de muitos sindicatos e partidos que outrora estiveram presentes em lutas como esta que foi travada no estado: a burocracia sindical, como muitos dos sindicatos ligados a CUT, que em muito pouco ou nada contribuíram na construção do plebiscito, isolou completamente muitos setores do movimento, enquanto que alguns giraram todas as suas forças para as eleições e esqueceram que a organização popular tem que ser feita de baixo. O plebiscito popular provou concretamente que os trabalhadores da cidade de Maceió encontram-se praticamente sem organizações políticas a seu serviço, a exceção da já mencionada pastoral da terra, do MST e outros movimentos do campo e importantes companheiros como o grupo “resistência popular”.


No que concerne ao movimento estudantil, lamentamos profundamente a ausência dos companheiros da ANEL na construção da campanha aqui no Estado, exceto por uma única urna na UNCISAL que mesmo assim ficou muito pouco tempo. Diferente do que aconteceu na UFAL, onde a unidade entre os grupos Além do Mito e Correnteza foi deveras importante e fortaleceu em muito a construção do movimento nesse ato. Nossa avaliação é que a nova configuração do DCE, através da proporcionalidade entre as correntes proporciona a possibilidade de que as forças atuem em conjunto e construam uma plataforma comum, diferente do que vinha acontecendo em que havia um isolamento claro das correntes do movimento, mesmo com determinadas concepções táticas muito semelhantes. Apesar de problemas ainda persistirem, principalmente em relação à falta de comunicação entre os próprios diretores da gestão, fica o exemplo de que a unidade de atuação pode ser construída e ser bem sucedida.


Por fim, fica a sensação de que muito ainda precisa ser reconstruído em Alagoas no que concerne a luta do povo. O além do mito espera contribuir com os importantes setores que estiveram a frente da campanha e se coloca a disposição para, na medida do possível ajudar a travar importantes batalhas como essa.

Um comentário:

Rafael disse...

Parabéns aos companheiros que se aliaram aos movimentos sociais para essa empreitada! Fico muito feliz em ler essas últimas linhas sobre a possível unidade entre as correntes de luta dentro do DCE... e tem um ano inteiro pela frente ainda pra mostrarem o quanto o DCE Quilombo dos Palmares é um instrumento forte de luta no Estado inteiro!

Agora, a urna da Uncisal foi mto boa gente. Pelo que eu sei, não teve ninguem "de fora" no momento, mas o DCE e a ExNETO puxando mais de 200 votos em 1 dia de votação. Parabéns pra eles tb!

Pisar junto do povo, fazer a luta real, popular, pra além dos muros da Universidade é um grande desafio e nos leva a aprendizados teórico-práticos que engrandecem a militância de cada uma e cada um.

O povo que ousa lutar... constrói o poder popular!!